Sucessão à vista e o efeito Paulo Dantas entregando obras a todo instante até o final do mandato

Governador abriu mão de eleição certa para assegurar apoio logístico decisivo ao seu bloco político

Por Blog do Romero 09/04/2026 16h04
Sucessão à vista e o efeito Paulo Dantas entregando obras a todo instante até o final do mandato
Recordista de obras, Paulo Dantas marcha firme com Renan Filho governador e Renan pai senador - Foto: Reprodução

Deputado estadual, senador, deputado federal - com aprovação em alta e incontáveis obras ampliando sua popularidade, o governador Paulo Dantas poderia ter renunciado ao cargo, habilitando-se a conquistar um desses mandatos, mas honrou o compromisso assumido em 2024 de permanecer no governo e concluir a gestão em 31 de dezembro.

Até lá, com um roteiro de ações devidamente organizado, tem tudo do que precisa para, como dizem os assessores, 'desnortear a oposição' inaugurando obras em ritmo frenético e beneficiando todos os municípios alagoanos.

Com disponibilidade financeira de causar inveja a qualquer estado, somando recursos próprios, financiamentos e repasses federais, o governador de Alagoas está pronto para cumprir um impressionante calendário de entregas abrangendo projetos de grande porte, como o novo sistema viário de Maceió, e numerosas obras de reconhecido alcance social nos setores de infraestrutura, saúde, educação, segurança, abastecimento e urbanismo, além de programas de combate à miséria e assistência alimentar às populações carentes.

Enquanto as forças governistas definem sua estratégia de campanha com chapas montadas para Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado, e aguardam uma definição de João Henrique Caldas, o JHC, que renunciou à Prefeitura para disputar as eleições, Paulo Dantas já trabalha com empenho e determinação para reeleger o senador Renan Calheiros e consolidar a volta do senador e ex-ministro dos Transportes, Renan Filho, ao comando do Executivo alagoano e cujo projeto eleitoral tem o respaldo de poderosa estrutura partidária liderada pelo MDB.

Os principais líderes da situação - Renan Filho, Paulo Dantas, Renan Calheiros, Marcelo Victor e Ronaldo Lessa - vivem a expectativa de contarem com JHC concorrendo a uma das vagas de senador, formando uma dobradinha com Renan Calheiros, enquanto, por outro lado, observadores políticos acham improvável que a oposição leve adiante a especulada candidatura de Alfredo Gaspar (agora no PL) ao governo, em parceria com Arthur Lira (PP) e Davi Davino Filho (Republicanos) disputando o Senado.

Contando com amplo apoio do eleitorado da Grande Maceió, JHC ainda não sinalizou o rumo eleitoral que deverá tomar - o que poderia ter ocorrido logo após transmitir o cargo de prefeito ao vice Rodrigo Cunha, do Podemos - mas sua caminhada pode sofrer mudança em virtude de um imprevisto em cima da hora: dispensado do comando do PL em Alagoas, ele migrou para o PSDB com liberdade para posicionar a legenda conforme seus objetivos.

Trata-se, contudo, de um fato novo que pode mexer com o cenário eleitoral em face de uma constatação óbvia: o PSDB perdeu protagonismo desde que Teotonio Vilela Filho, seu principal líder no Estado, concluiu o segundo mandato consecutivo de governador, em 2014.

A partir daí, nomes como Rui Palmeira e Rodrigo Cunha debandaram para outras agremiações. Hoje, analistas políticos entendem que a falta de lideranças e mandatários (senadores, deputados, prefeitos, vereadores) e de estrutura da legenda tucana tornaria 'crítico' ou muito difícil viabilizar um projeto de candidatura ao governo de Alagoas neste ano.

Além dos efeitos da transição partidária, a condição de ex-prefeito também tende naturalmente a reduzir a visibilidade de JHC até o início da campanha eleitoral em junho, enquanto Rodrigo Cunha ganha projeção na chefia do Município, e isso deve produzir forte contraposição diante dos constantes atos inaugurais conduzidos pelo governador Paulo Dantas.

O que no entanto parece cada dia mais visível é o distanciamento de JHC do grupo bolsonarista que pode reunir Lira, Gaspar e Davino, seja pelo alinhamento destes com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, seja pela aproximação que o ex-prefeito maceioense construiu junto ao presidente Lula quando buscou e conseguiu a nomeação de sua tia, hoje ministra Marluce Caldas, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com uma gestão positiva e ótima aprovação popular, embora sem o poder que o cargo de prefeito lhe conferia, o fato indiscutível é que João Henrique Caldas entra em campo com força e influência para uma disputa eleitoral que poderá ser fácil ou difícil, a depender de sua opção final entre governo do Estado e Senado Federal.

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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