Mistura de pizza e circo, CPI do INSS fracassou e expõs Gaspar como principal derrotado
Criada para descobrir paradeiro dos bilhões desviados, Comissão virou antro de politicagem
Na abertura - lembram? - o comando da CPMI até jurou empenho e seriedade, mas foi advertida: se, ao final dos trabalhos, não disser onde foi parar o dinheiro surrupiado dos aposentados, o Brasil estará diante de mais uma pizza feita com massa de segunda. E não deu outra.
Para compor a massa, os pizzaiolos buscaram entidades acusadas de desvios, assim como figuras já investigadas e desgastadas como o 'Careca do INSS', mas sem chegar aos esconderijos dos bilhões subtraídos. Ou seja, não fizeram absolutamente nada além do que a Polícia Federal já havia feito.
E não tardou para ficar claro que, submetido aos interesses do bolsonarismo, o comando da Comissão se especializou em catar nomes e situações que pudessem, a qualquer custo, expor e desgastar a imagem de quem, para os bolsonaristas, deveria ser o 'grande alvo' da encenação: o presidente Lula.
Pois, em verdade, a CPMI não foi instituída para investigar, descobrir e resgatar o numerário arrancado das contas dos aposentados. Esse era o papel reservado a quem de direito - os policiais federais. O que os líderes da 'investigação' no Parlamento queriam de fato era apontar alguém que despertasse a atenção da sociedade, mas gerando perdas políticas para o governo.
Mexeram com alguns nomes - ex-ministro, ex-presidente do INSS, gente associada ao Planalto - até que, de repente, surgiu uma pepita rara e preciosa, identificada com nome conhecido e emblemático: Fábio Luís Lula da Silva. Portanto, filho do presidente Lula, Alvo melhor, impossível.
O trabalho da CPMI estava salvo. O resta era linguiça. Quem melhor do que o filho do presidente para ser exposto, com ou sem culpa, com ou sem prova, no curso final de uma 'investigação' que não havia descoberto nem resgatado nada?
O senador Carlos Viana e o deputado Alfredo Gaspar (presidente e relator) pegaram carona em dados vazados da PF e partiram para o óbvio do que pretendiam, isto é, quebrar o sigilo de Lulinha, mas havia uma pedra no caminho: esbarraram na caneta de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal e político pra lá de experiente. Os sigilos de Lulinha foram mantidos.
O alagoano Alfredo Gaspar chegou a defender a prisão preventiva de Fábio Luís tendo como fundamento 'impedir que ele fugisse'. Muito bem, mas fugir como, se ele mora na Espanha?...
Contudo, o que mais expôs os objetivos mesquinhos e indecentes dos cabeças da CPMI saltou aos olhos dos mais atentos: para que quebrar os sigilos (bancário, fiscal e telemático) de Lulinha, se isso já havia sido feito lá atrás, em janeiro, pelo ministro André Mendonça, do Supremo, um dos nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro? Não bastava pedir informações à PF? O que se pretendia, portanto, era o barulho, a execração de Lulinha.
A Federal não relatou nada de anormal, nada de comprovado, mas Viana e Gaspar entendiam que, para os objetivos a que a CPMI se propunha, manter o nome de Lulinha em evidência, alvo de ilações de todo tipo, bastava para desgastar o papai Lula...
No relatório final, sem apontar caminhos nem viabilizar o resgate de um único centavo dos bilhões desviados, Alfredo Gaspar insistiu em explorar o nome de Lulinha, ao recomendar que o Ministério Público o indiciasse com base em relatos de 'possível' envolvimento... E as provas?
A pizza estava pronta, mas não seguiu para o forno. A derrota final de Gaspar foi acachapante, com o relatório tendencioso submetido à votação e massacrado por 19 votos contra 12, placar que marcou o destino conclusivo da pizza crua e insípida.
Vale registrar: em mudança de partido (deixou o União Brasil e assumiu o comando do PL em Alagoas), Alfredo Gaspar conversou com Flávio Bolsonaro, seu novo correligionário, dois dias antes de recomendar prisão preventiva para Lulinha...
Gaspar, ficou óbvio, sai do episódio empunhando a bandeira do fracasso, da derrota política incontornável, enquanto o coleguinha Carlos Viana começou a enfrentar denúncias sobre desvios de milionárias emendas parlamentares.
Por toda lambança que marcou a trajetória dos trabalhos ao longo de seis meses, com lances circenses e bizarrices, estava decretado o retumbante fracasso de uma CPMI criada com a finalidade de atender os interesses políticos do bolsonarismo.
A mídia nacional, em numerosos comentários e análises, foi pródiga em rotulá-la de 'Circo, Picadeiro, Pizza, Milho, Intretenimento', dentre outras menções convergentes para o que poderia ser resumido em um só verbete, muito ilustrativo, por sinal: palhaçada.

