JHC renuncia neste sábado, mas rumo eleitoral não deve ser anunciado de imediato
Prefeito ainda precisa de novas 'avaliações' para decidir se concorre ao governo ou Senado
Mais novo tucano na praça, o prefeito João Henrique Caldas - agora integrando as fileiras do velho PSDB - renuncia ao mandato neste sábado, quatro de abril, data limite para desincompatibilização de quem, como ele, exerce o cargo na condição de reeleito.
Seu futuro político terá sequência em dois atos essenciais:
- renúncia à Prefeitura;
- anúncio do mandato que irá disputar.
A despedida do cargo de prefeito estava prevista desde que fechou acordo com seu atual vice, Rodrigo Cunha (Podemos) pouco antes do pleito municipal de 2024. Então senador, Cunha renunciou para ceder a vaga à suplente Eudócia Caldas, mãe de JHC. Em contrapartida, o político arapiraquense compôs a chapa de João Caldas filho como vice e agora se efetiva no comando da Prefeitura.
Já o segundo ato, causa de palpites, especulações e até apostas, pode não ser consumado já neste sábado, apesar das expectativas. Isto porque a renúncia não obriga JHC a assumir e revelar, de pronto, o mandato que resolveu disputar.
Governo ou Senado?
É possível que ele já tenha escolhido ou que continue alimentando dúvidas, hipótese que conduz ao entendimento de que o prefeito de Maceió ainda precisa de mais algum tempo para a decisão final.
Nos bastidores políticos predomina a percepção de que seu ingresso no PSDB, partido que atingiu o auge com Fernando Henrique Cardoso na presidência da República, põe em dúvida a tese de candidatura a governador.
Isto porque o partido liderado pelo ex-governador Teotonio Vilela Filho, em Alagoas, caiu em declínio ao longo dos últimos anos e virou um nanico. Para resumir: nas urnas de 2024 elegeu apenas um prefeito e nenhum vereador, aqui em Alagoas.
E acontece que disputar o governo estadual por uma legenda sem estrutura, sem mandatários, sem fundo partidário e sem tempo no rádio e na televisão seria, no mínimo, uma temeridade.
Ainda mais tendo como adversário um ex-governador de dois mandatos, campeão de obras, senador eleito em 2022 e ministro de uma poderosa pasta, como a dos Transportes, caso de Renan Filho, líder de um MDB que reúne mais de 80 prefeitos, centenas de vereadores, maioria dos deputados estaduais e, como grande trunfo, tem o apoio do governador Paulo Dantas, novo recordista de obras e programas sociais no Estado.
Tudo isso sem falar, claro, no precioso apoio do presidente Lula, grande vencedor da sucessão presidencial de 2022 e mais uma vez favorito na disputa pelo Palácio do Planalto.
JHC conhece sua força na capital, tem a exata medida de seu potencial, mas também sabe que o interior do Estado, onde Renan Filho predomina, concentra mais de dois terços do eleitorado alagoano.
Os números: enquanto a eleição de governador, em 2022, registrou um total de 1 milhão e 520 mil votos válidos, a sucessão em Maceió, em 2024, contabilizou 455 mil sufrágios válidos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por outro lado, João Caldas filho sabe muito bem que a opção pelo Senado dissiparia qualquer possibilidade de risco, abrindo-lhe caminho para uma vitória certa e consagradora.
Mesmo porque o invocado 'acordo de Brasília', pelo qual JHC apoiaria Arthur Lira para senador, se decompôs totalmente em meio à recente atuação do deputado do PP e à barulhenta expulsão do prefeito decretada pelo comando nacional do PL.
Assim, composto com o MDB, JHC caminharia alinhado também com o senador Renan Calheiros, candidato à reeleição, lançaria a esposa Marina Candia para disputar vaga na Câmara dos Deputados e, quem sabe, poderia até encaixar sua mãe, atual senadora Eudócia Caldas, como suplente na própria chapa ou em cooperação com o senador Renan Calheiros, com perspectiva de chances para, no futuro, assumir o mandato de modo interino...


