Amigos ocasionais empurram JHC para a fogueira da sucessão. Afinal, o risco é do prefeito...

Não por mera coincidência, todos miram o mesmo objetivo nas eleições de outubro

Por Blog do Romero 17/03/2026 17h05
Amigos ocasionais empurram JHC para a fogueira da sucessão. Afinal, o risco é do prefeito...
Gaspar, Lira e Davi miram vaga no Senado, mas querem ver JHC à frente do esquadrão - Foto: Reprodução

Quem deu a largada foi Artur Lira, do PP. Ainda presidente da Câmara dos Deputados, o herdeiro de Benedito de Lira procurou João Henrique Caldas, do PL, e o incentivou a disputar o governo de Alagoas nas eleições de 2026. Uma barbada. Era só deixar a Prefeitura e se lançar candidato a governador. Uma avalanche de votos chegaria por gravidade. Sem concorrência, nenhuma ameaça. O prefeito só precisava dizer 'estou dentro'.

Ex-deputado estadual, Davi Davino Filho, do Republicanos, também fez sua parte. Em tom premonitório, evocando o mestre Ravengar, da novela global 'Que Rei sou eu?', anteviu uma 'disputa dura', mas vaticinou que JHC será governador "porque o povo quer".

Outro defensor da candidatura de JHC ao governo, o bolsonarista Alfredo Gaspar, do União Brasil, está entre os que não apostam, mas dizem que o prefeito de Maceió vencerá a sucessão do governador Paulo Dantas. Como os demais, Gaspar ouviu João Caldas filho dizer, sem rodeios, que só tomaria uma decisão em abril.

Cada um pertence a um partido distinto, mas os três incentivadores do prefeito têm algo em comum: pretendem concorrer a uma das duas vagas de senador. Cacife? Bom, todos têm sua própria história, futuro encorajador, mas o trunfo deles, para chegar ao Senado Federal, concentra-se em três letras - JHC - desde, obviamente, que se lance candidato a governador...

É o jogo político dominado pela regra original do 'primeiro eu'.

Mais recentemente, em visita a Maceió, o presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, foi direto ao assunto: "JHC governador". O velho Costa Neto conhece a política estadual, aqui de Alagoas, mas também reza na cartilha do 'primeiro eu'. Quer dizer, primeiro o PL nacional, que precisa de candidatos aos governos estaduais para conquistar cadeiras no Congresso e seguir entre as legendas com direito às maiores fatias do bilionário fundo partidário.

Mui amigo, Costa foi o correligionário que, em entrevista recente de grande repercussão, admitiu ter recebido R$ 7 milhões do Banco Master, mas aproveitou para atingir Jair Bolsonaro, ao revelar que o pessoal de Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, também depositou R$ 3 milhões direto na conta do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado.

Voltando à 'prata da casa', na formatação de seus projetos eleitorais, Arthur Lira, Davi Filho e Alfredo Gaspar não avaliam nem se importam com o que acontecerá a JHC, se perder a eleição para o governo. Não consideram sequer a dificuldade que terá ao enfrentar um ex-governador (Renan Filho, do MDB), que resgatou Alagoas da bancarrota econômica, salvou a Fazenda estadual do abismo financeiro, derrotou a violência criminal, tirou grande parte da população da miséria e viabilizou o desenvolvimento do Estado, algo impensável até os anos 2014. E que, justo por isso, tem o nome gravado na memória dos alagoanos.

É a velha história, se o foco é o projeto pessoal, isto é, a pretensão de ser senador, claro que ninguém vai questionar desafios, nenhum deles se dispõe a levar em conta que o possível concorrente de JHC foi eleitor governador, reeleito de forma consagradora e, depois, eleito senador atuando também como grande responsável pela vitória de Paulo Dantas, do MDB, como seu sucessor em 2022.

Nesse jogo de empurrar JHC para a fogueira sucessória, Alfredo Gaspar se sobressai pela conhecida falta de empatia e mesmo de aproximação com o prefeito maceioense, a quem enfrentou no pleito municipal de 2020, atacando-o sem dó nem piedade.

Cabe aqui uma reparação em relação a Davi Filho. Dos três que sonham com o Senado, o ex-deputado estadual é o único que, conforme vem afirmando e repetindo o tempo todo, disputará uma das vagas de senador a qualquer custo, não importando os desafios, com ou sem JHC envolvido na luta pelo governo.

Os demais, Lira e Gaspar, até poderiam seguir os passos de Davi, mas tal possibilidade parece mais difícil do que acertar na Mega-Sena com um volante simples. Mesmo porque os dois federais acreditam contar com apoio suficiente para conquistar o direito de passar mais quatro anos no Congresso Nacional, como deputados, evidentemente.

Com duas vagas em jogo, a corrida ao Senado tem como grande favorito o senador Renan Calheiros, primeiro colocado em quase todas as pesquisas de intenção de voto com abrangência estadual. Exercendo o quarto mandato consecutivo, Renan disputará a reeleição embalado pela perspectiva de, em caso de vitória, tornar-se recordista no Parlamento brasileiro, acumulando cinco mandatos e igualando-se ao maranhense José Sarney, único até aqui cinco vezes empossado no Senado da República.

Lira e Gaspar - avaliam observadores políticos - se fixam na eleição para senador de olho na segunda vaga (a primeira seria do emedebista Renan), mas pularão do barco se o prefeito JHC, no início de abril, resolver ficar fora da sucessão e decidir formar uma dupla de área com Renan Calheiros rumo ao Senado, como tem sido cogitado ultimamente.

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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