Sistema de limpeza a seco aumenta eficiência no processamento da cana

Técnica aumenta a retirada de resíduos (areia e palha) que chegam junto à cana e que são devolvidos ao campo como adubo

Por BCCOM ASSESSORIA 16/03/2026 13h01 - Atualizado em 16/03/2026 16h04
Sistema de limpeza a seco aumenta eficiência no processamento da cana
Sem uso de água, técnica retira impurezas vegetais e minerais da cana que chega do campo na indústria - Foto: BCCOM ASSESSORIA

O aumento da produtividade aliado à redução de custos, sem deixar de lado a questão da sustentabilidade, é uma constante no setor produtivo, seja no campo ou na indústria. Nesse sentido, um novo equipamento vem sendo utilizado por unidades industriais do setor sucroenergético alagoano: a mesa de limpeza de cana a seco.

O equipamento promove a limpeza da cana que chega do campo à indústria, antes de dar início ao processo de beneficiamento para a produção de açúcar e etanol, sem a utilização de água.

Pioneira no uso da mesa, a Usina Serra Grande utiliza o equipamento, que opera em duas etapas de limpeza, realizando a peneiração dos resíduos minerais e vegetais que vêm junto com a cana.

“Na primeira etapa, temos uma mesa com uma queda de 38 graus, onde já ocorre a primeira fase de retirada de impurezas. Após isso, a cana é entregue em outra mesa de 45 graus, onde também ocorre o processo de peneiração e de limpeza. Os dois processos se complementam para atingir o resultado de remoção de impurezas”, explicou Miguel Bezerra, diretor da Serra Grande.

De acordo com ele, os resíduos (areia e palha), provenientes dos dois processos de limpeza a seco, caem em uma grelha e seguem em uma esteira transportadora, sendo coletados por caçambas para receber a destinação final. “Em média, a cada uma hora sai um caminhão carregado. Outro aspecto interessante é que esse equipamento pode ser usado tanto na cana inteira quanto na cana picada, que vem da colheita mecanizada, sendo um ponto muito positivo”, frisou.

Daniel Bezerra afirmou ainda que o equipamento está há três safras em funcionamento na usina. “A nossa inspiração para o uso da mesa a seco veio da Usina São José dos Pinheiros, em Sergipe. É um equipamento que opera muito bem, retira uma grande quantidade de impurezas e, realmente, tem apresentado um resultado muito bom para a nossa usina”, declarou.

Segundo ele, por safra, a unidade industrial chega a recolher 30 mil toneladas de impurezas por meio da mesa de limpeza a seco, o que representa 3% do volume de cana que é processado.

Miguel Bezerra destaca ainda a eficiência do equipamento em comparação ao processo tradicional de lavagem. “Quando utilizávamos a lavagem da cana, tínhamos várias dificuldades. Não se retirava tanta terra quanto na limpeza a seco, além da questão da água utilizada, que deveria ser tratada posteriormente. Na lavagem com água, ela também leva um pouco da sacarose da cana, o que já representa uma perda. A água é um recurso indispensável e escasso, e há também a preocupação ambiental envolvida nesse processo. Aqui, diante dos resultados obtidos, foi um investimento que deu certo e que recomendamos. A mesa a seco veio como uma alternativa que muitas usinas estão adotando, além de promover também redução no consumo de energia, já que a bomba de lavagem tinha uma vazão muito alta. Ou seja, também há esse ganho”, destacou.

Exemplo

A exemplo da Serra Grande, a Usina Copervales, localizada no município de Atalaia, também investiu na limpeza da cana a seco. “Chegávamos a utilizar 1,5 milhão de litros de água por hora no processo de lavagem da cana. Agora usamos o sistema a seco. As impurezas, após a cana cair em um sistema de grelhas, chegam a um coletor e seguem para o campo, servindo como adubo”, afirmou Américo Santana, gerente industrial da unidade.

De acordo com ele, no equipamento, por meio do processo de queda da cana na grelha, as impurezas acabam se soltando e caindo no coletor. “Não existe motor nem uso de água. Nesse processo, conseguimos extrair até mais de 25% de impurezas da cana.”

A técnica vem sendo usada pela unidade industrial pela segunda safra. “É um sistema ambientalmente mais adequado. Ele promove uma economia significativa de água, sendo uma ação impactante para o nosso meio ambiente. Deixa de retirar água dos mananciais, além de reduzir o consumo de energia, já que as bombas de água deixam de ser ligadas”, destacou.

Segundo ele, a limpeza a seco contribui ainda para a redução do desgaste das caldeiras e das moendas. “Quando a cana era levada, passava muita impureza. A limpeza a seco é um sistema muito mais eficiente”, reforçou.

AL Rural

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