Rastro da 'Caravana': mais R$ 11 bilhões para Alagoas investir com 750 obras em perspectiva

Bolada integra Novo PAC, mas correrá risco se houver mudança na sucessão presidencial

Por Romero Vieira Belo 05/03/2026 17h05 - Atualizado em 05/03/2026 17h05
Rastro da 'Caravana': mais R$ 11 bilhões para Alagoas investir com 750 obras em perspectiva
Gleisi Hoffmann, Paulo Dantas e Renan Filho com autoridades e políticos durante a Caravana Federativa - Foto: Reprodução

Ainda faltam nove meses e dias para o ano acabar, mas Alagoas tem motivo de peso para comemorar sua caminhada a partir de janeiro de 2027: o Novo PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - já incluiu R$ 11 bilhões para investimentos aqui no Estado até 2030.

Esse foi o grande 'rastro' deixado pela Caravana Federativa que esteve em Maceió na semana passada para ouvir demandas e apelos dos gestores estaduais - governador, prefeitos, vereadores - e cujos integrantes, à frente a deputada Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, reuniram-se com as autoridades alagoanas durante os dias 26 e 27, no Centro de Convenções de Jaraguá.

A Caravana deixou muitos outros resultados incluindo assinatura de ordem de serviço para a duplicação da BR-104, no trecho entre União dos Palmares e Branquinha (investimento de R$ 274 milhões) e da BR-316-AL Lote 1A, trecho de 15 km do Arco Metropolitano de Maceió, ligando os municípios de Satuba a Pilar (investimento de R$ 218 milhões). A canetada cravou a tinta do alagoano Renan Filho, ministro dos Transportes.

Atração da Caravana, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que os investimentos federais aqui em Alagoas estão se concretizando graças à parceria entre os governos estadual e federal e à eficiência da gestão comandada pelo governador Paulo Dantas. O novo desembolso do PAC montado pelo presidente Lula tem efeito paralisante nos críticos da oposição, principalmente os bolsonaristas: serão mais de 750 empreendimentos em Alagoas, com absoluta prioridade direcionada a obras de saúde, educação, cultura, sustentabilidade, transporte e infraestrutura.

Tudo certo, então? Sim e não.

No que depender do governo federal, sim, os onze bilhões de reais serão repassados no decorrer dos anos entre 2027 e 2030, são recursos programáticos e sem risco de redirecionamentos. O 'não' existe dada à hipótese, ainda que improvável, de mudança no comando do governo federal. Isto porque uma eventual gestão bolsonarista, com o filho Flávio ou outro qualquer apadrinhado do ex-presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, certamente mudaria toda estratégia e planos de ação traçados pelo presidente Lula para os próximos quatro anos pós-eleição.

E o alvo da reversão, vale anotar, não seria apenas o Programa de Aceleração do Crescimento. Por questão óbvia de tática eleitoral, nenhum candidato presidencial bolsonarista abordará o assunto, mas as redes sociais estão aí para mostrar e demostrar que os bolsonaristas são críticos ferrenhos e inimigos dos programas sociais do governo de Luiz Inácio, começando pelo popular Bolsa Família. É um programa que, sob gestão bolsonarista, pode ser extinto dando lugar a um outro menos abrangente e com menos dinheiro para famílias carentes. Também poderiam ser alvos o Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, Luz para Todos, Mais Médicos, Gás do Povo, Pé de Meia, dentre outros.

A diferença de visão consiste em pontos inconciliáveis: enquanto Lula enxerga os programas sociais como distribuição de renda, os bolsonaristas definem os gastos como 'eleitoreiros', destinados a criar redutos eleitorais financiados com dinheiro público. É um discurso recorrente da oposição embora Jair Bolsonaro, na presidência, tenha ampliado o Bolsa Família com a inclusão de mais 2,2 milhões de beneficiários, portanto, fazendo 'gastos eleitoreiros'.

Lula tem um compromisso natural com os pobres, e essa tem sido a marca de seus governos desde que assumiu a presidência pela primeira vez, em 2002. O bolsonarismo, distante disso, não só nada fez pelas populações carentes, com Jair no Planalto, como ainda tratou os servidores públicos como 'vagabundos' e tudo fez para prejudicar os aposentados da Seguridade Social.

O certo é que o processo eleitoral deste ano terá importância histórica para Alagoas e para o Brasil. Aqui, a escolha será entre a manutenção de um projeto de desenvolvimento que, nos últimos 11 anos, tem contemplado todos os segmentos da sociedade, projeto conduzido pelo governador Paulo Dantas, ministro Renan Filho, senador Renan Calheiros, deputado Marcelo Victor e vice-governador Ronaldo Lessa, e, do outro lado, um salto no escuro representado por uma oposição que nada faz pelo povo alagoano.

No plano nacional, enquanto Lula tem projeto estudado e planejado para seguir com o Brasil avançando e se destacando no cenário internacional, a oposição bolsonarista não tem projeto nenhum, seus líderes sequer dizem o que querem para o País, apenas deixam claro que são movidos por uma dose cavalar de ódio, inveja e incontornável despeito.

Na corrida às urnas, a decisão será do eleitorado alagoano. Durante a campanha, além de tudo que já viu acontecer - sobretudo os grandes avanços na saúde, educação e segurança - todos terão como analisar prós e contras, avaliar quem já fez e ainda pode fazer muito mais pelo Brasil e por Alagoas e, dessa forma, assumir a posição que lhes parecer mais justa e segura.

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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