Alta nas ações trabalhistas acende alerta no Brasil
Com 2,47 milhões de novos processos em 2025, aumento de 31% em relação a 2021 revela desafios estruturais e a construção civil está no centro desse cenário
O número de ações trabalhistas no Brasil voltou a crescer de forma
significativa. Em 2025, foram registradas 2,47 milhões de novas
reclamações, o que representa um aumento de 31% em relação a
2021, segundo levantamento da Predictus. O dado, por si só, chama
atenção, mas exige uma análise mais profunda sobre as razões por
trás desse movimento e os impactos em setores estratégicos da
economia, como a construção civil, que vive um dos seus momentos
mais aquecidos.
Entre as principais causas das ações estão horas extras não pagas,
verbas rescisórias, adicional de insalubridade e indenizações por
danos morais. No entanto, na prática dos escritórios
especializados, a realidade pode apresentar nuances próprias de cada
segmento.
Para o advogado trabalhista Alexandre Casciano, a construção civil concentra demandas bastante específicas. “Na
construção civil, as causas recorrentes são de demissão sem
pagamento de verbas rescisórias, horas extras não pagas e
pagamentos de salário produção sem reflexos nos direitos
trabalhistas, quando pagos”, explica. Segundo ele, o ritmo intenso
das obras e a alta rotatividade de mão de obra exigem das empresas
organização administrativa rigorosa, o que nem sempre acontece.
Mas afinal, por que houve esse salto expressivo nas estatísticas? Para o
especialista, é preciso cuidado ao interpretar os números.
“Precisamos entender ‘salto’ no número de ações de forma
estatística. Há também salto populacional. A conta deve ser feita
considerando número de ações e quantidade de população. Aumentos
são normais e também são reflexos de dificuldades e despreparo de
empresários com pouca ou nenhuma formação intelectual, técnica,
administrativa e econômica”, pontua.
Afala revela uma questão estrutural: o crescimento das demandas
judiciais não está necessariamente ligado apenas ao aumento de
conflitos, mas também à falta de preparo na gestão trabalhista.
Pequenos e médios empresários, especialmente em setores
operacionais como a construção, muitas vezes negligenciam rotinas
básicas de compliance e organização documental.
Outro dado relevante diz respeito à resolução desses processos.
Diferentemente do que muitos imaginam, nem todas as ações chegam
até uma sentença. “Em nosso escritório, tudo é transformado em
dados estatísticos, talvez devido à minha formação exata vinda da
engenharia civil. Os dados numéricos são importantes para
avaliarmos postura e estratégia. Assim, nos últimos cinco anos,
tem-se mantido uma média de 30% de reclamações trabalhistas que
acabam em acordo”, afirma Casciano.
Ou seja, apesar do alto volume de processos, apenas uma parcela resulta
em composição amigável, o que indica que grande parte das disputas
segue para julgamento ou se resolve por outras vias processuais.
Para o trabalhador que se sente prejudicado, o caminho, segundo o
advogado, começa pela informação. “O trabalhador comum tem pouco
ou quase nenhum acesso à nossa complicada legislação. Para isso
temos os canais de comunicação via WhatsApp e redes sociais, onde é
possível esclarecer se está havendo a lesão aos seus direitos. É
preciso também ter ciência de suas obrigações”, orienta. Ele
ressalta ainda um equívoco recorrente: “É muito comum virem nos
procurar alegando que ‘a empresa não quis me mandar embora’,
sendo que nenhuma empresa é obrigada a demitir ninguém.”
O aumento das ações trabalhistas, portanto, revela mais do que
números: expõe fragilidades na relação entre empresas e
empregados, lacunas na gestão e a necessidade crescente de
informação qualificada. Em um país onde a legislação trabalhista
é extensa e complexa, o equilíbrio entre direitos e deveres segue
sendo o principal desafio, tanto para quem contrata quanto para quem
é contratado.
João Costa é Jornalista, Assessor de Imprensa, é Membro da API (Associação Paulista de Imprensa), é "Prêmio Odarcio Ducci de Jornalismo, é "Prêmio de Comunicação pela ABIME – Associação Brasileira de Imprensa de Mídia Eletrônica, Digital e Influenciadores, é Prêmio Iberoamericano de Jornalismo, é Referência em Comunicação pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação – ANCEC, tem reconhecimento por Direitos Humanos pelo Instituto Dana Salomão e Menção honrosa do Lions Clube Internacional- Rio do janeiro. Teve participação ativa em eventos da Embaixada do Gabão no Brasil em Brasília, tendo inclusive, sido intérprete de discurso a convite do Embaixador do Gabão no Brasil, em jantar beneficente, com a presença do Vice-Presidente da República Federativa do Brasil. O mesmo possui participação em workshops, webinars, congressos e conferências.


