Paulo Dantas, Renan Filho e prefeito JHC - batalha campal ou acordo 'bom para todas as partes'?

Lessa exibe potencial mas, 'sem legenda', dificilmente entrará na disputa por vaga no Senado

Por Romero Vieira Belo 02/03/2026 14h02 - Atualizado em 02/03/2026 16h04
Paulo Dantas, Renan Filho e prefeito JHC - batalha campal ou acordo 'bom para todas as partes'?
Prefeito JHC, a tia, ministra Eudócia Caldas, e Renan Filho após reunião com Lula no Planalto - Foto: Reprodução

As definições políticas, em ano eleitoral, dependem estritamente dos prazos. Por isso, para muitos políticos que estão exercendo mandatos e cargos, as águas vão rolar até quatro de abril, data em que, por exemplo, ministros de estado, governadores e prefeitos (reeleitos) terão de renunciar para concorrer a 'outros mandatos'.

Significa que Renan Filho, ministro dos Transportes, Paulo Dantas, governador, e João Henrique Caldas, prefeito, terão de deixar os cargos até o quarto dia do próximo mês, se quiserem participar do jogo eleitoral em perspectiva.

Dos três citados, até agora somente um anunciou que renunciará: Renan Filho (MDB), cujo projeto para voltar ao governo de Alagoas vem sendo fortalecido desde sua eleição para o Senado, em 2022. Duas vezes governador, o atual ministro do governo Lula ganhou projeção nacional e já teve o nome especulado para concorrer a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio, mas desfez os rumores e já comunicou ao próprio presidente que deixará o Ministério dos Transportes para disputar a sucessão do governador Paulo Dantas.

De sua parte, o prefeito JHC (PL) há meses emite todos os sinais indicando que renunciará à Prefeitura, às vezes permitindo que familiares, assessores e correligionários antecipem seu rumo, mas sem ele próprio, em nenhum momento, dizer que sairá candidato a governador ou a senador - mandatos que seriam os 'mais indicados' para sua atual situação. Até o prazo fatal, segue prefeito e pronto. Assim fazendo, ele mantém o controle da administração maceioense, preserva sua força gravitacional atraindo as atenções do eleitorado e cumpre regularmente o esquema traçado para, no início de abril, entregar as rédeas da Prefeitura ao vice Rodrigo Cunha (Podemos). Foi o acerto feito para que, eleito senador em 2018, o político de Arapiraca renunciasse no início de 2024 para ceder a vaga à suplente Eudócia Caldas, mãe de JHC.

São dois concorrentes prontos para a disputa eleitoral, sendo que um deles, o ministro Renan, já tem objetivo definido publicamente, ao passo que João Henrique Caldas tanto pode disputar uma das vagas no Senado (com eleição garantida junto ao senador Renan pai, do MDB) como pode, partindo para um desafio de 'tudo ou nada', optar por uma batalha campal com Renan Filho, nome visto como o grande favorito fora de Maceió, ou seja, junto a mais de dois terços do eleitorado estadual.

Quanto a Paulo Dantas, hoje reconhecido como um dos maiores governadores de Alagoas, as pressões são muitas para que dispute a eleição e prossiga exercendo mandato, mas ele decidiu, ainda no final de 2024, que não renunciaria. "Vou exercer o cargo até o último dia e vou cumprir, uma por uma, todas as promessas que fiz na campanha eleitoral, além de incrementar outros projetos e programas que a estabilidade financeira do Estado vem permitindo viabilizar como pautas do desenvolvimento alagoano".

Com essa determinação, Paulo Dantas prioriza a luta para desenvolver ainda mais Alagoas e para atender às grandes demandas das populações carentes, abrindo mão de um futuro político com mandato sequencial, ele que já detém aprovação de mais de 70% dos alagoanos, conforme as pesquisas, e seria um nome fortíssimo para concorrer ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados. O governador já decidiu, e o disse de forma reiterada, que participará do processo eleitoral apenas com o compromisso inarredável de apoiar a reeleição do senador Renan Calheiros, a candidatura de Renan Filho ao governo e o projeto de reeleição do presidente Lula.

Dessa forma, com sua permanência no cargo, as atenções se voltam para o futuro político de seu vice, o ex-governador Ronaldo Lessa. Se Dantas renunciasse para concorrer, Lessa assumiria o governo e ficaria no cargo até o último dia - 31 de dezembro vindouro. Já sem renúncia do governador, Lessa tem duas opções: sair candidato a senador ou deputado federal (é um nome bem avaliado nas mais recentes pesquisas para o Senado) ou se manter como vice-governador trabalhando pela vitória das forças governistas, o que lhe garantiria, em caso de vitória nas urnas, um espaço relevante no próximo secretariado.

A candidatura de Lessa, porém - vale o alerta - seja ao Senado ou Câmara, seria uma opção temerária devido à falta de legenda, isto é, de força partidária estruturada, uma vez que o seu PDT entraria isolado, sem capacidade de protagonismo e, portanto, sem ter como respaldar a disputa de um mandato majoritário em torno de seu nome.

GASPAR X LULINHA

A CPMI do INSS, que tem o alagoano Alfredo Gaspar como relator, pediu a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva - filho do presidente Lula - quando a medida já havia sido adotada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ainda em janeiro.

Das duas, uma: Ou a Comissão de Gaspar não sabia da decisão do ministro Mendonça, o que mostraria uma CPMI totalmente perdida e desligada da realidade, ou sabia e requereu a quebra, novamente, só para criar confusão e 'mostrar serviço'...

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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