Pesquisas: Flávio 'encosta' em Lula, é verdade, mas avanço não sustenta tendência de virada
Em 2022, Bolsonaro colou em Lula, ficou na margem de erro e não impediu vitória do petista
E era Bolsonaro, o próprio Jair Messias.
As pesquisas de intenção de voto são referência em avaliação eleitoral e podem indicar tendências e caminhos. Mas elas processam números que, não raro, revelam tendências que não evoluem ou possibilidades que não se materializam.
Nesse início de ano e, portanto, com a eleição mais próxima, alguns institutos divulgaram sondagens sobre a sucessão presidencial e a mídia destacou uma 'novidade: a liderança de Lula se mantém, mas a vantagem caiu, sobretudo em relação a Flávio Bolsonaro.
A distância, que em dezembro era de 10 pontos, encurtou para cinco pontos de acordo com a mais recente pesquisa do Genial/Quaest divulgada em nove de fevereiro. O resultado gera euforia no seio do bolsonarismo, é óbvio e justo, mas não indica 'rumo a uma virada', como tentam fazer parecer alguns veículos da mídia.
Foram testados sete cenários. No principal, o Quaest mostra Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 38%, isto em projeção de segundo turno. Detalhe: a diferença era de sete pontos em janeiro e de dez pontos em dezembro.
Trata-se de uma 'tendência'? Difícil de responder. Os bolsonaristas ganham ânimo e até dizem que Lula já 'atingiu seu teto' enquanto Flávio está em 'movimento ascendente'. Análise correta?
Antes de se chegar a conclusões, convém levar em conta alguns pontos essenciais:
1 - Pesquisa não é voto, e sim intenção.
2 - O posicionamento do eleitorado é dinâmico e, por isso mesmo, multável, sujeito a variações.
3 - Quantos candidatos chegaram ao dia da eleição 'vitoriosos' e no final perderam a disputa?
4 - A margem de erro de dois pontos para mais ou para menos pode esconder valores decisivos.
Além desses elementos, importa considerar o fator marcante da atual conjuntura eleitoral brasileira: o país está rachado, dividido ao meio, ou quase ao meio, de tal forma que, não interessa quem, qualquer candidato da direita terminará se aproximando de Lula. Não há cenário para banho de votos, lavagem, massacre nas urnas.
Para se ter uma ideia, na reta final do segundo turno da sucessão de 2022, pesquisa Datafolha mostrou Lula com 49% e Bolsonaro com 45%, nos votos totais. Também nos válidos, o petista tinha 52% e Jair Messias, 48%. Ou seja, apenas quatro pontos de diferença.
Já com o voto na urna, o resultado (final) foi mais apertado ainda: Lula venceu com 50,9% contra 49,1% conquistados por Bolsonaro. Uma vantagem percentual crítica de menos de 2%. Em valores absolutos: 60,3 milhões de votos de Lula contra 58,2 milhões atribuídos a Jair Bolsonaro, que disputava a reeleição.
A tendência este ano é a mesma - disputa apertadíssima, com provável vitória de Lula, mas, como já observado, sem vantagem colossal. Sem terceira via, o confronto é direto, isso no segundo turno. No primeiro, a direita deve se fracionar, mas, sob cálculo, para reunir suas forças no turno decisivo. Hoje, além de Flávio Bolsonaro (o escolhido pelo próprio Jair Messias para sucede-lo) há ao menos outros quatro pré-candidatos, todos governadores: Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná), Romeu Zema (Minas) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Tarcísio de Freitas, de São Paulo, recuou e vai buscar a reeleição.
As pesquisas indicam que Flávio ganha de todos, mas cada um acredita que tem potencial para mudar o curso da disputa nos próximos meses. Afinal, a campanha sequer começou. E também pode haver desistência, mas pelo menos os dois mais fortes deverão concorrer 'internamente' com o filho do ex-presidente Bolsonaro.
A esquerda não enfrenta esse problema. Lula é Lula, pronto e acabado, devidamente preparado para tentar o quarto mandato presidencial. Seu grande trunfo? Os programas sociais. Há muitas obras estruturantes, grandes investimentos em hospitais, rodovias, conjuntos habitacionais (Minha Casa Minha Vida), muitas unidades educacionais, mas os projetos sociais, comandados pelo Bolsa Família, farão a diferença no duelo presidencial. Não uma 'grande diferença', não uma vantagem acachapante, mas o suficiente para assegurar a permanência do petista como ocupante do Palácio do Planalto por mais quatro anos. Exatamente como em 2022, mas sem, contudo, perspectiva de Lula 'mais uma vez'. O próprio Luiz Inácio está preparado e sabe que o seu ciclo, longo e vitorioso, se fechará até 2030. E isso abre uma perspectiva de 'mudança inevitável': a esquerda dificilmente preservará o exercício do poder em 2030.
Em verdade, na era pós-Lula, o Brasil assistirá a uma disputa terrivelmente dramática, encarniçada, dentro do bolsonarismo, com os líderes da direita se engalfinhando, cada um convicto de que encarna a 'bola da vez' para assumir a presidência da República. É o cenário que tende a se configurar com Lula 'aposentado', fora do batente, ao menos em se tratando de disputa presidencial...
ENTREVISTA
Na excelente entrevista ao Ponto & Contra Ponto, de Estela Nascimento (TV Ponta Verde-SBT), na sexta-feira antes do Carnaval, Wendel Palhares foi abrangente, didático e objetivo ao discorrer sobre 1 ano de suas ações no comando da Secretaria Estadual de Comunicação.
Como foi ao ar em pleno clima de dispersão da folia, seria interessante que a TV Ponta Verde abrisse espaço para reapresentar a íntegra da entrevista com Estela e Palhares.


