Como Lira, Gaspar também mira Senado, mas torcendo para JHC entrar no 'tudo ou nada'
Prefeito deve decidir entre o certo (Senado) e o duvidoso (governo). Começa contagem regressiv
Com duas vagas em jogo, a eleição de senador vai saindo do campo da polarização e sinaliza que poderá ser marcada por inflação de candidatos. A disputa, que no início se resumia a Renan Calheiros (MDB) buscando a reeleição, e Arthur Lira (PP) tentando trocar a Câmara pelo Senado, agora apresenta uma lista de cinco pretendentes. E ainda não é o 'fim da linha'.
Além de Calheiros e Lira, também estão se movendo na mesma direção o deputado federal Alfredo Gaspar (União), o ex-deputado estadual Davi Davino Filho (Republicanos) e também a advogada Marina Candia, esposa do prefeito João Henrique Caldas (PL) e, portanto, primeira-dama de Maceió.
O caminho está aberto para Lira e Gaspar, mas assumi-lo ainda é projeto visivelmente condicionado a uma interrogação: sem JHC disputando o governo, os dois federais se manterão candidatos ao Senado?
A probabilidade é praticamente zero.
Quanto a Davi Filho, um nome bem avaliado nas pesquisas de intenção de voto na região de Maceió, a corrida rumo à Câmara Alta está decidida, ele já firmou posição assegurando tratar-se de um projeto pessoal irreversível.
São, pois, cinco peças compondo o xadrez com dois pódios, mas há um sexto nome que precisa ser considerado: o prefeito JHC, que ainda não indicou se vai concorrer e, menos ainda, que cargo disputaria, também pode entrar no jogo do embate senatorial.
Óbvio que tal possibilidade (JHC senador) leva a outro questionamento pertinente: se o prefeito optar pelo Senado e se compuser com Renan pai (senador) e Renan Filho (governador), Alfredo Gaspar e Arthur Lira se manterão candidatos ao Senado? Ou se conformarão com a renovação de seus atuais mandatos?
Evidente que, com esse quadro acima delineado, Marina Candia ficaria de fora da caminhada em direção ao Senado, mas não da eleição. Com seu potencial testado positivamente em pesquisas de intenção de voto, a primeira-dama da capital poderia muito bem concorrer, com sucesso, a um mandato de deputada federal.
JHC tem até abril para renunciar (ou não) ao cargo e parece óbvio que só vai se decidir em cima do prazo. Avaliando resultados de pesquisas, o prefeito já percebeu que, no geral, aparece em empate técnico com Renan Filho na batalha pelo governo. Ora, à frente, ora atrás, mas apenas 'numericamente', sem dianteira, sem distanciamento, sem disparada de um ou de outro. Isso, antes da campanha. Pois ainda cabe avaliar quem tem mais alianças, mais prefeitos e vereadores apoiando, mais lideranças no seu entorno, mais partidos formando frente.
Quem contará com respaldo da maioria dos deputados estaduais e com apoio expresso do presidente da República. E, claro, quem receberá apoio e créditos do governo que está projetando mais e mais Alagoas, sob a batuta de Paulo Dantas, um governador cada dia mais bem avaliado. Enfim, quem terá mais poder de mobilização durante a campanha eleitoral.
Uma ampla e detida análise conjuntural compete aos dois potenciais concorrentes, mais interessa especialmente a JHC por uma razão simples: se disputar o governo e perder, o prefeito maceioense ficará sem mandato e sem cargo e terá de esperar ao menos quatro anos para tentar um recomeço.
Seria um 'tudo ou nada'. Renan Filho, por sua vez, permanecerá senador por mais quatro anos, se não retornar ao Palácio dos Palmares e se não voltar para um ministério.
O projeto de RF está definido. O de JHC segue em avaliação, exigindo prudência e cautela. O prefeito vai optar entre 'viver perigosamente' e pisar em terreno sólido. Entre o certo e o duvidoso. E não tem mais tempo a perder, pois o outro lado já fez o seu tempo.


