Agro

Mulheres de oito estados conhecem iniciativas e inovação no agro alagoano

Projetos de educação, comércio e tecnologia na produção canavieira foram apresentados

Por Redação com Assessoria 02/11/2026 14h02
Mulheres de oito estados conhecem iniciativas e inovação no agro alagoano
Suênia Félix, representante da Paraíba na Comissão Nacional das Mulheres do Agro - Foto: Julio Vasconcelos

Representantes de oito estados brasileiros participaram de um Dia de Campo promovido pela Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas, em São Miguel dos Campos. A programação apresentou experiências desenvolvidas no agronegócio alagoano nas áreas de educação, sustentabilidade, inovação agrícola e comercialização de etanol, além de proporcionar a troca de conhecimentos entre produtoras rurais e representantes do setor.

Uma das atividades incluiu uma visita à Usina Caeté, com passagem por um posto de combustível destinado exclusivamente à comercialização de etanol hidratado. O modelo permite que o combustível fornecido diretamente pela usina chegue aos consumidores, aproximando produtores e compradores e reduzindo a participação de intermediários.

Atualmente, o projeto mantém quatro unidades em funcionamento, com comercialização mensal entre 150 mil e 200 mil litros de etanol.

Na sequência, o grupo visitou a Fazenda Santo Antônio, na zona rural de São Miguel dos Campos, de propriedade do engenheiro agrônomo Edilson Maia, vice-presidente da Faeal. No local, as participantes conheceram tecnologias e práticas voltadas ao aumento da produtividade e à sustentabilidade da cultura canavieira.

Entre as iniciativas apresentadas estava o Bisturi Canavieiro, equipamento desenvolvido por Edilson para complementar as tecnologias utilizadas no setor e ampliar as possibilidades de manejo do solo e da lavoura. A proposta é contribuir para a produtividade dos canaviais a partir de uma abordagem regenerativa.

Durante a passagem pela propriedade, as visitantes acompanharam o funcionamento do equipamento e conheceram uma estação de produção de biochar. O biocarvão, rico em carbono, é obtido por meio da queima controlada de biomassa, com o uso de materiais como casca de manga, semente de açaí e papelão. O produto é aplicado principalmente como condicionador de solo de alta porosidade.

A fazenda também mantém uma área destinada a testes com óleos essenciais. Depois de conhecer as experiências, as participantes encerraram o Dia de Campo com um momento de integração e compartilhamento das vivências.

Para Alrilene Brandão, representante do Sebrae Pará, o contato direto com os projetos complementou os conhecimentos adquiridos durante o encontro e ofereceu referências que poderão ser levadas para outras regiões.

“Foi um encontro maravilhoso que permitiu encontrar tantas mulheres que produzem e que fazem com que a economia do Brasil cresça cada vez mais. Foi uma união de experiências, no encontro, vimos a teoria e, no Dia de Campo, a experiência na prática. Foram dias de muito conhecimento que vamos levar lá para o Sudeste do Pará, para também repassar isso às outras mulheres”, compartilhou.

Participaram representantes do Sebrae de outros estados, integrantes das comissões estaduais de mulheres do agro, representantes de agroindústrias, como a Piracanjuba, e produtoras rurais do Pará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais.

A diretora administrativa e financeira do Sebrae Alagoas e representante do estado na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, Juliana Almeida, ressaltou que a iniciativa também buscou aproximar lideranças e estimular parcerias capazes de gerar resultados após o evento.

“Quando reunimos mulheres de diferentes regiões, ampliamos nosso olhar, compartilhamos conhecimentos e fortalecemos conexões. O mais importante é que essas trocas não terminem por aqui, mas possam gerar parcerias, novas ideias e oportunidades que continuem contribuindo para o desenvolvimento do agro e para o protagonismo das mulheres nesse setor”, pontuou.

A programação começou com uma visita à Escola Conceição Lyra, em São Miguel dos Campos, considerada um dos principais projetos sociais da Usina Caeté, empresa do setor sucroenergético. A instituição atende crianças e adolescentes, desde filhos de cortadores de cana-de-açúcar até filhos de diretores da usina. Desde a década de 1960, mais de 15 mil estudantes já passaram pela escola.

Além das atividades de ensino, os alunos contam com merenda, transporte escolar e banco de livros. A instituição também desenvolve ações de educação empreendedora por meio do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), do Sebrae.

Certificada pela Fundação Abrinq, a escola trabalha para garantir o acesso e a permanência de crianças e adolescentes no ambiente escolar, contribuindo para a melhoria das condições socioeconômicas da região.

Suênia Félix, representante da Paraíba na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, destacou a importância do trabalho desenvolvido pela instituição e o impacto da educação na vida dos estudantes e de suas famílias.

“A gente pode observar o quanto a educação pulsa nas veias aqui, não só dos colaboradores, mas dos alunos. O entusiasmo que a gente vê, a dedicação, cada detalhe, cada cantinho da escola foi pensado com muita destreza. Percebemos, no olhar das pessoas, o quanto isso faz diferença na vida delas, dos seus filhos e de quem trabalha aqui. Foi um prazer estar aqui e poder ver com os nossos olhos o quanto a educação transforma vidas”, afirmou.

*Informações de Agência Sebrae