Agro
70% dos produtores rurais atendidos pelo Sebrae inovam nos negócios em Alagoas
Programa ALI Rural acompanhou 190 produtores em 33 municípios e registrou avanços na comercialização e no faturamento
Sete em cada dez pequenos produtores rurais acompanhados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Alagoas adotaram melhorias inovadoras em seus negócios. O resultado faz parte do balanço do quarto ciclo do Programa Agente Local de Inovação Rural (ALI Rural), que atendeu 190 produtores em 33 municípios do estado, com orientações voltadas à produção, à gestão e à comercialização.
Além da adoção de inovações, 43% dos participantes conseguiram ampliar as possibilidades de venda da produção, enquanto 33,5% registraram aumento no faturamento. Durante o ciclo, 14 agentes atuaram diretamente nas propriedades, identificando oportunidades de melhoria e auxiliando na implementação de soluções para fortalecer os empreendimentos.
O acompanhamento é realizado ao longo de 12 meses, com visitas às propriedades, aplicação de ferramentas de diagnóstico e orientações individualizadas. O atendimento é gratuito e considera as características de cada negócio rural, buscando melhorar a produtividade, reduzir custos e aprimorar a gestão.
Para a analista do Sebrae Alagoas e coordenadora do programa, Jacqueliny Martins, um dos desafios é mostrar aos produtores que a inovação não depende necessariamente de grandes investimentos ou de tecnologias complexas.
"Às vezes, o produtor acredita que inovação precisa ser algo grande, tecnológico, mas mudar uma forma de plantio, melhorar a gestão ou encontrar outro caminho para comercializar também é inovar. O papel do ALI é ajudá-lo a enxergar essas oportunidades dentro da própria propriedade e buscar soluções que façam sentido para o seu negócio", explica.
Desde a implantação em Alagoas, em 2023, o ALI Rural já alcançou cerca de mil produtores, segundo Jacqueliny. A iniciativa busca aproximar o conhecimento técnico das práticas de inovação, especialmente no contexto da agricultura familiar.
Produção diversificada
A experiência de Hélio Adelino dos Santos Silva, conhecido como Hélio Santos, ilustra como mudanças na gestão e no aproveitamento dos recursos podem contribuir para o desenvolvimento de um negócio rural. No Sítio Vô Luiz, localizado na região de Pindorama, em Coruripe, ele decidiu transformar a propriedade herdada do avô em uma fonte de renda.
Professor, Hélio investiu na produção de alimentos ao lado da esposa e procurou o Sebrae para tornar o pequeno terreno mais rentável. Depois de um diagnóstico da propriedade, ingressou no ALI Rural e passou a receber acompanhamento do agente José Célio, que o auxiliou na organização das atividades e na identificação de novas oportunidades produtivas.
"Passei a tratar o sítio como uma empresa, registrando atividades, horários, entradas, saídas, ganhos e perdas. Isso me ajudou a ter mais clareza sobre o que precisava fazer. Aprendi que não é necessário ter muita terra para produzir, porque mais vale um pouco bem gerido do que muito maltratado", conta Hélio.
Entre as mudanças implementadas está a instalação de um tanque para criação de tilápias em uma área que era pouco aproveitada. A atividade passou a gerar receita com a venda dos peixes, enquanto a água do tanque, rica em nutrientes, começou a ser utilizada na irrigação da lavoura de macaxeira, reduzindo a necessidade de fertilizantes.
A propriedade também diversificou o cultivo, incluindo melancia, milho, feijão-de-corda e abóbora. Com as diferentes atividades, a expectativa é alcançar R$ 60 mil em faturamento em 2026. O agente José Célio destaca que a iniciativa surgiu do aproveitamento de recursos já disponíveis no sítio.
"Havia um espaço que não estava sendo utilizado e percebemos a possibilidade de implantar a piscicultura integrada à irrigação. Assim, ele consegue produzir peixes e aproveitar a água do tanque na lavoura, diminuindo a necessidade de adubo químico e potencializando uma área pequena", destaca.
Nova fonte de renda
No povoado Água de Menino, em Teotônio Vilela, Maria Edinete dos Santos, conhecida como Dinete, encontrou na venda de galetos assados uma oportunidade de ampliar a renda familiar.
Filha e neta de agricultores, ela já criava aves e carneiros com o marido, Jackson. A ideia de comercializar galetos, no entanto, ganhou forma com o apoio do agente Matheus da Trindade, por meio do ALI Rural. A partir do acompanhamento, ela planejou o empreendimento e lançou o Galeto da Dinete.
"Eu sempre tive vontade de trabalhar com galetos, mas não sabia por onde começar. Quando conversei com Matheus, ele me incentivou e ajudou a colocar as ideias em prática. Apesar de saber que já existiam pessoas vendendo na comunidade, resolvi apostar no meu tempero e tentar. Já na primeira venda, foi um sucesso, esgotou e ainda ficou gente querendo comprar", relembra.
Com a orientação recebida, Dinete desenvolveu a identidade visual do negócio, investiu na divulgação e aprimorou o controle das despesas, das vendas e dos lucros. A iniciativa conquistou clientes na comunidade e em localidades próximas, ampliando as possibilidades de comercialização.
Segundo o agente Matheus da Trindade, a renda obtida com o empreendimento já contribuiu para custear parte de um curso de especialização da filha de Dinete.
A produtora pretende ampliar a produção e alcançar novos consumidores. Ao avaliar os primeiros resultados, ela afirma que deseja consolidar o negócio no estado. "Quem sabe eu não serei uma das empresárias mais bem-sucedidas no ramo de galeto aqui de Alagoas? Esse é o meu sonho", afirma.
Novo ciclo
Com o encerramento da quarta etapa, o ALI Rural dá continuidade às ações de incentivo aos pequenos negócios do campo. O quinto ciclo já começou e conta com dez agentes locais de inovação, que trabalham na mobilização de novos produtores e na articulação com parceiros dos municípios.
A iniciativa mantém o foco na identificação de oportunidades e na implementação de melhorias que contribuam para o crescimento dos empreendimentos rurais alagoanos.
*Com informações da assessoria
