Agro
Corte na cota de açúcar do Brasil para os EUA pode gerar prejuízo milionário
Redução atinge principalmente a região nordeste
A redução da cota brasileira de exportação de açúcar para os Estados Unidos pode causar um prejuízo estimado em US$ 30 milhões e afetar a cadeia sucroenergética do Nordeste, que concentra 100% das exportações brasileiras nessa modalidade.
Para o ano fiscal de 2027, iniciado em 1º de outubro, os Estados Unidos autorizaram o Brasil a exportar 100 mil toneladas de açúcar bruto com tarifa reduzida. O volume representa uma queda de cerca de 36% em relação às aproximadamente 156 mil toneladas do ciclo anterior.
Segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, o setor esperava renegociar a quantidade destinada ao mercado americano em 2027. Ao todo, 55.993 toneladas foram retiradas da cota brasileira e redistribuídas entre outros países.
A República Dominicana recebeu 11.931 toneladas adicionais, enquanto as Filipinas ficaram com outras 9.151 toneladas. O restante foi dividido entre outros 26 países.
A decisão ocorre em um cenário de expectativa de aumento da produção brasileira. O Nordeste deve produzir cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, segundo Cunha, que afirma que a redução também pode atingir produtores de cana, fornecedores e aproximadamente 250 mil empregos diretos e indiretos ligados ao setor na região.
O impacto também está relacionado ao acesso ao mercado americano. Pelo sistema de Tariff Rate Quota (TRQ), uma quantidade limitada de açúcar entra nos Estados Unidos com tarifa reduzida. Acima desse limite, a tributação é maior, o que reduz a competitividade do produto.
"As relações internacionais privadas, com ingerência excessiva dos governos, afetam negativamente os consumidores dos países importadores e acarretam imprevisibilidades danosas aos empregos nas origens", ponderou Cunha.
O dirigente também destacou que o Brasil recebia 152.691 toneladas da cota desde 2014 e classificou a redução como uma mudança significativa para o setor.
"Desde 2014 o Brasil recebe 152.691 toneladas da cota, que sempre forneceu dentro dos padrões e condições exigidos. Essa é a primeira redução em doze anos e nos frusta sobremaneira", afirma Cunha.
Com o corte, o açúcar que estava previsto para ser exportado aos Estados Unidos deverá ser direcionado a outros mercados ou ao mercado interno. Cunha afirma que o setor nordestino também havia planejado ampliar as exportações para a União Europeia, com 180 mil toneladas dentro do acordo entre Mercosul e União Europeia.
"Este ano conseguimos uma cota importante de exportação de 180 mil toneladas de açúcar para União Europeia por meio do acordo com Mercosul. Seria um ano próspero onde o setor se programava para embarcar 320 mil toneladas de açúcar com tarifa especial", diz Cunha, informando que a despeito da recente decisão dos Estados Unidos, caso o país venha a demandar mais açúcar, os usineiros estarão á disposição para fornecer o produto.
*Informações apuradas e retiradas de CNN Brasil
