Agro

Safra começa em AL e Pindorama deve liderar produção de etanol no NE

A projeção é chegar a aproximadamente 85 milhões de litros de etanol, um aumento de cerca de 20 milhões de litros na comparação com a safra anterior

Por Blog Edivaldo Junior 20/08/2026 13h01
Safra começa em AL e Pindorama deve liderar produção de etanol no NE
Produção de cana deve crescer na safra 26/27 em Alagoas. - Foto: Edivaldo Júnior

A safra de cana-de-açúcar 2026/2027 começou em Alagoas com expectativa de recuperação da produção e uma novidade no mercado de etanol. Primeira unidade do Estado a entrar em operação, na terça-feira (18/08), a Cooperativa Pindorama, localizada em Coruripe, vai ampliar a produção de etanol de grãos e deve terminar o novo ciclo como maior produtora do biocombustível do Norte e Nordeste.

A projeção é chegar a aproximadamente 85 milhões de litros de etanol, um aumento de cerca de 20 milhões de litros na comparação com a safra anterior.

A expansão, revela o presidente da cooperativa, Klécio Santos, será puxada pela unidade de etanol de cereais, que começou produzindo cerca de 15 milhões de litros, avançou para 25 milhões no último ciclo e poderá chegar a algo entre 40 milhões e 45 milhões de litros nesta safra.

A produção de etanol de cana também deve ficar entre 40 milhões e 45 milhões de litros. Se as projeções forem confirmadas, a produção total ficará em torno de 80 milhões a 90 milhões de litros.

O avanço colocaria a Pindorama acima das maiores produtoras de etanol do Nordeste. Localizada em Campo Alegre, a Usina Porto Rico encerrou 2025/2026 com 67,28 milhões de litros, enquanto a Coruripe produziu 63,15 milhões. Pindorama produziu 66,8 milhões, sendo 41,5 milhões de cana e o restante de cerais.

Considerando somente o etanol produzido a partir da cana, Alagoas fechou a última safra com 483,77 milhões de litros, crescimento de 19,27% sobre o ciclo anterior.

Pindorama

A Pindorama iniciou a moagem mantendo a tradição de abrir a safra alagoana e de estar entre as primeiras unidades do Nordeste a entrar em operação.

Na safra passada, a cooperativa processou 809,8 mil toneladas de cana. Para 2026/2027, o presidente da cooperativa, Klécio Santos, trabalha com crescimento de 5% a 10% na moagem. “O que se mostra até agora é que devemos ter uma moagem melhor em relação ao ciclo passado”, afirma.

Klécio mantém cautela porque o resultado ainda dependerá do comportamento das chuvas nos próximos meses. “Na verdade, tudo depende do verão, que determina exatamente o quanto a safra irá crescer.”

Moagem

Presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira avalia que o comportamento das chuvas permite trabalhar novamente com uma safra estadual acima de 19 milhões de toneladas.

“Hoje, podemos pensar em mais de 19 milhões de toneladas, dado o comportamento chuvoso, que está bastante satisfatório”, afirma.

Segundo Pedro Robério, uma distribuição regular das chuvas pode contribuir não apenas para aumentar o volume, mas também para melhorar a qualidade da matéria-prima.

“Se continuar essa tendência de chuva não muito intensa, poderemos ter, inclusive, além do crescimento do volume de cana, uma melhoria da qualidade dessa cana, o que resultará em maior oferta de etanol e maior oferta de açúcar”, aponta.

O último boletim geral do Sindaçúcar-AL registra que Alagoas processou 17,79 milhões de toneladas de cana na safra 2025/2026, contra 17,49 milhões no ciclo anterior. Foram produzidas 1,418 milhão de toneladas de açúcar e 483,77 milhões de litros de etanol.

Depois da Pindorama, o calendário começa a ganhar ritmo. A próxima unidade prevista para entrar em operação é a Usina Santo Antônio, em São Luiz do Quitunde, na terça-feira (25/08). A Camaragibe deve iniciar a moagem em 8 de setembro. Juntas, as duas unidades trabalham com previsão de processar aproximadamente 2,4 milhões de toneladas de cana.

Na sequência, as demais unidades começam gradualmente a moagem. Alagoas conta com 15 usinas em operação.

Chuvas

A avaliação entre os fornecedores também melhorou. Presidente da Asplana, Edgar Filho considera que as chuvas registradas em agosto deram maior segurança para o desenvolvimento dos canaviais.

Na região Norte, segundo ele, houve áreas com precipitação acumulada próxima de 80 milímetros nesta semana. Para Edgar, as chuvas praticamente consolidam uma condição agrícola melhor para a safra 2026/2027.

O cenário contrasta com o ciclo anterior, quando uma estiagem prolongada reduziu a produtividade agrícola e atingiu principalmente os fornecedores. Além da expectativa de recuperar parte da produção perdida, Edgar acompanha uma possível reação das cotações internacionais do açúcar, outro fator importante para recuperar a renda do produtor.