Agro
Conab reduz previsão, mas safra de cana deve crescer 4,7% em 25/26
Levantamento da companhia estima produção de 705,2 milhões de toneladas
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a estimativa da safra brasileira de cana-de-açúcar em 2025/26. O segundo levantamento da temporada, divulgado nesta quinta-feira (20), projeta uma produção de 705,2 milhões de toneladas, 4 milhões a menos que na previsão anterior. Apesar do corte, o volume ainda representa crescimento de 4,7% em relação à safra 2024/25.
A expectativa de aumento está relacionada principalmente à expansão da área destinada à colheita e ao ganho de produtividade. Segundo a Conab, a área deve chegar a 9,1 milhões de hectares, alta de 1,1%. Já a produtividade média nacional é estimada em 77.905 quilos por hectare, avanço de 3,6%. As condições climáticas registradas ao longo do ciclo têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.
O Sudeste continua como principal região produtora do país, com previsão de 451,4 milhões de toneladas. A área destinada à cultura deve alcançar 5,6 milhões de hectares, crescimento de 0,4%, enquanto a produtividade média pode chegar a 80.872 quilos por hectare, 4,6% acima do registrado na temporada anterior.
São Paulo concentra a maior parte dessa produção. Apenas os produtores paulistas devem colher 362,8 milhões de toneladas de cana.
No Centro-Oeste, segunda maior região produtora, a Conab também prevê avanço. A área deve chegar a 2 milhões de hectares e a produtividade média pode atingir 78.755 quilos por hectare. Com isso, a produção regional é estimada em 157 milhões de toneladas, aumento de 4,6% em comparação com a safra anterior.
Sul e Norte também devem registrar crescimento. No Sul, a colheita projetada é de 37,3 milhões de toneladas, enquanto a produção no Norte deve alcançar 4,1 milhões de toneladas.
No Nordeste, a estimativa é de 55,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 4,1%. O avanço deve ocorrer principalmente pela expansão da área colhida, calculada em 923,5 mil hectares. A produtividade média, por outro lado, deve ter crescimento mais discreto, de 0,3%, chegando a 60.037 quilos por hectare.
Açúcar deve recuar, enquanto etanol avança
Apesar da expectativa de crescimento da produção de cana, a Conab projeta uma redução na fabricação de açúcar. A estimativa é de 42,89 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 2,9% menor que o registrado em 2025/26.
Em sentido contrário, a produção de etanol de cana-de-açúcar deve crescer 9,7%, alcançando 29,98 bilhões de litros.
O etanol produzido a partir do milho também deve registrar alta. A Conab estima uma produção de 11,91 bilhões de litros, crescimento de 17% em relação à temporada anterior. Somadas as duas matérias-primas, a produção nacional de etanol deve chegar a 41,88 bilhões de litros, aumento de 11,7%.
Mercado
No mercado internacional, os preços do açúcar mantêm trajetória de alta em agosto, dando continuidade à recuperação iniciada no fim de julho. Segundo a Conab, o movimento é influenciado pelas expectativas de maior restrição da oferta mundial, pelos riscos climáticos nas principais regiões produtoras e pela possibilidade de uma parcela menor da cana brasileira ser direcionada à fabricação de açúcar.
Para o etanol, o cenário também é considerado positivo pela companhia. No mercado interno, a demanda pelo combustível, especialmente pelo etanol anidro, tende a ser impulsionada pelo aumento da mistura obrigatória do biocombustível à gasolina.
A proporção passou de 30% (E30) para 32% (E32) no fim de julho. A mudança pode elevar o consumo de etanol e aumentar os incentivos para que produtores direcionem parte da cana-de-açúcar para a fabricação do biocombustível.
*Informações de CNN Brasil
