Agro
IA do MST começa a transformar a agricultura familiar no Brasil
Projeto com conjunto com a China usa sensores para monitorar plantações e modernizar o trabalho no campo
A agricultura familiar brasileira começa a incorporar ferramentas de inteligência artificial para modernizar a produção e reduzir o esforço dos trabalhadores. Uma parceria entre o MST, a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Agrícola da China criou o Laboratório de Agroecologia Familiar Digital, que utiliza sensores para acompanhar plantações e equipamentos em tempo real.
A plataforma chinesa, desenvolvida pela estatal Sinomach Digital, foi adaptada para o português e para as condições brasileiras. O sistema monitora fatores como temperatura e umidade do solo, presença de pragas e funcionamento de máquinas. As informações podem ser acessadas pelo celular ou computador, permitindo, por exemplo, controlar equipamentos e realizar a irrigação de áreas específicas.
Segundo o professor da UnB e diretor do Centro Brasil-China para a Agricultura Familiar, Sérgio Sauer, a ferramenta é a primeira desse tipo na América Latina. Ele ressalta que a tecnologia precisou ser adaptada às características brasileiras, que envolvem diferentes condições climáticas, tipos de solo e formas de produção.
“Essa plataforma foi redesenhada e customizada toda em português, e é a primeira na América Latina. A cooperação técnica visa também uma troca de conhecimentos, porque a própria implementação no contexto brasileiro é bastante diferente do chinês, seja do ponto de vista climático, condições do solo e, principalmente, modelo de agricultura”, explica Sauer.
Apesar da importância da agricultura familiar para a produção de alimentos no país, o acesso à tecnologia ainda é limitado. Sauer afirma que menos de 10% dos agricultores familiares têm acesso às ferramentas disponíveis.
Um dos motivos é que grande parte das máquinas agrícolas foi desenvolvida pensando em grandes propriedades e monoculturas, como soja, milho e algodão. Por isso, equipamentos de grande porte nem sempre atendem às necessidades dos pequenos produtores, que trabalham com áreas menores e diferentes culturas.
“Com isso, as máquinas e tecnologias disponíveis são de grande porte e não adaptadas à agricultura de pequena escala”, destaca o professor.
Para a diretora de inovação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Vivian Libório, a inovação pode ajudar a reduzir a penosidade do trabalho, aumentar a renda dos produtores e fortalecer a segurança alimentar.
“É fundamental destacar a relevância e a centralidade da agenda de inovação para a agricultura familiar.”
Falta de internet é um dos desafios
A expansão dessas tecnologias também depende de infraestrutura. Segundo os dados apresentados na reportagem, mais de 52% dos imóveis rurais não contam com conexão às redes 4G e 5G.
Sauer também aponta dificuldades relacionadas ao acesso à energia elétrica. Para ele, a modernização da agricultura familiar precisa vir acompanhada de políticas públicas e investimentos específicos em ciência e tecnologia.
“É necessário políticas de governo, é necessário investimentos em ciência e tecnologia pensando nesse público. Os agricultores familiares não têm acesso às tecnologias porque elas não foram planejadas, desenhadas para esse público.”
Além de aumentar a produtividade, a inteligência artificial pode contribuir para a sustentabilidade e a adaptação às mudanças climáticas, analisando dados sobre solo, clima e produção e auxiliando na diversificação das culturas.
O projeto também aposta na cooperação entre países do Sul Global para desenvolver tecnologias adaptadas às necessidades locais. A proposta inclui investimentos em sensores, plataformas de código aberto, compartilhamento de dados e formação de pesquisadores e agricultores.
*Informações de Sputnik e MST
