Agro
Ataques no Mar Negro podem alterar preços de grãos no Brasil
Intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia eleva riscos logísticos e pode pressionar preços
A intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia contra portos, terminais de exportação e embarcações comerciais no Mar Negro voltou a aumentar a preocupação no mercado agrícola internacional. Com a região entrando no período de maior colheita de grãos, a deterioração da segurança pode reduzir os embarques, elevar custos logísticos e aumentar a volatilidade dos preços das commodities.
Desde o início de julho, as ofensivas passaram a atingir com maior frequência navios mercantes, terminais portuários, armazéns agrícolas e instalações de exportação. Portos estratégicos, como Odessa e Chornomorsk, também foram afetados, comprometendo rotas importantes para o escoamento da produção.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informou nesta sexta-feira (7) que o índice global de preços dos alimentos atingiu em julho o maior nível em mais de três anos. A alta foi influenciada por condições climáticas adversas e pela escalada dos conflitos no Golfo e no Mar Negro, com destaque para os cereais.
A Rússia é a maior exportadora mundial de trigo, enquanto a Ucrânia permanece entre os principais fornecedores de milho, trigo, cevada e óleo de girassol. Grande parte dessa produção é enviada para mercados da África, Oriente Médio e Ásia por meio do Mar Negro.
Segundo dados do governo ucraniano obtidos pela Reuters, foram registrados 35 ataques a navios em portos e 22 no mar durante julho, além de 67 ataques contra instalações portuárias.
Os problemas de segurança também aumentam os custos de transporte. O risco de ataques eleva os prêmios de seguro das embarcações e encarece os fretes, pressionando toda a cadeia de comercialização agrícola. Eventuais impactos sobre o petróleo também podem aumentar os custos de combustíveis e transporte.
A Ucrânia tenta compensar as dificuldades utilizando ferrovias e o rio Danúbio para manter as exportações. No entanto, essas alternativas ainda não possuem capacidade para substituir o volume movimentado pelos portos do Mar Negro.
Para o mercado agrícola, o cenário pode provocar maior volatilidade, principalmente nos preços do trigo. O analista Luis Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica, avalia que a intensificação dos ataques é atualmente um dos principais fatores de pressão sobre as cotações do cereal.
Os efeitos também podem atingir o milho, que possui relação com o mercado de trigo e é utilizado em diversos mercados de ração animal. A União Europeia, que enfrenta perdas agrícolas provocadas por uma onda de calor, pode aumentar as importações do cereal. A Ucrânia, importante fornecedora do bloco, pode encontrar dificuldades para atender essa demanda.
No Brasil, uma valorização do trigo no mercado internacional pode aumentar os custos da farinha e pressionar os preços da indústria de panificação. Por outro lado, uma redução dos embarques ucranianos pode abrir espaço para que países importadores busquem outros fornecedores, incluindo o Brasil, principalmente no mercado de milho.
O impacto sobre as commodities brasileiras, porém, dependerá da duração das restrições no Mar Negro, da evolução da produção mundial e do comportamento da demanda internacional.
*Informações retiradas de CNN Brasil
