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Agro pode movimentar R$ 3,5 bilhões com créditos de carbono até 2035

O estudo indica que a falta de regulamentação ainda impede o Brasil de alcançar potencial internacional

Por Redação* 07/08/2026 10h10
Agro pode movimentar R$ 3,5 bilhões com créditos de carbono até 2035
. - Foto: Pexels

O agronegócio brasileiro pode movimentar até 314,3 milhões de créditos de carbono até 2035, mas a ausência de regras para autorizar e comercializar esses ativos ainda limita o potencial do setor. A conclusão é de um estudo apresentado nesta quinta-feira (6), durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, na São Paulo Climate Week.

Elaborado pela Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio, do Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAg) e da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o levantamento aponta que o Brasil pode gerar bilhões de reais sem comprometer suas metas climáticas.

Segundo o estudo, uma estratégia moderada de autorizações permitiria negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no mercado internacional. Esse volume poderia render até R$ 2,4 bilhões por meio dos Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOs), mecanismo previsto no Artigo 6 do Acordo de Paris.

Caso os créditos sejam destinados ao Corsia, programa internacional de compensação de emissões da aviação civil, a receita potencial sobe para R$ 3,5 bilhões.

O levantamento aponta que o potencial do agronegócio está concentrado no manejo aprimorado de terras agrícolas, na recuperação de áreas degradadas e na redução das emissões de metano provenientes de dejetos animais.

Para a pesquisadora Natascha Trennepohl, responsável pelo estudo, o setor passou a ocupar um papel estratégico na agenda climática.

"O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções. Não existe uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger a meta climática do País. Com critérios de autorização bem definidos e volumes graduais, as duas coisas caminham juntas."

Apesar do potencial, os pesquisadores destacam que a geração dessas receitas depende da regulamentação do mercado pelo governo brasileiro, da autorização dos créditos como ITMOs e da demanda internacional.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, a definição de critérios para autorização dos créditos, o reconhecimento de metodologias do agronegócio no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e o fortalecimento dos mecanismos de monitoramento e verificação dos projetos.

O estudo também recomenda que o país prepare seus projetos para atender à demanda do Corsia a partir de 2027, quando o programa passará a exigir compensações obrigatórias para a maior parte dos voos internacionais.

"O Brasil já fez a parte mais difícil, que é comprovar que tem escala, metodologia e integridade ambiental para competir nesse mercado. O que falta agora é essencialmente operacional: destravar a regulamentação para que esse potencial vire projeto, investimento e renda para o produtor rural", concluiu Trennepohl.

*Informações de CNN Brasil