Agro
Seca atinge 75 municípios de Alagoas e provoca impactos na agricultura familiar
Apesar dos impactos localizados provocados pela estiagem, a estimativa nacional para a safra de grãos 2025/26 aponta crescimento
Alagoas registrou 75 municípios com algum grau de severidade de seca em julho, segundo o monitoramento da estiagem no contexto da agricultura familiar, divulgado na última terça-feira (4) pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI).
O levantamento aponta que 73 cidades alagoanas apresentaram condição de seca severa e duas foram classificadas em situação de seca extrema.
Na região Nordeste, nove municípios foram identificados com seca extrema, sendo dois em Alagoas e sete em Sergipe. Outros 130 municípios nordestinos apresentaram seca severa, distribuídos entre Alagoas (73), Sergipe (48) e Pernambuco (9). Já a condição de seca moderada foi registrada em 99 municípios da região, incluindo 20 alagoanos.
O acompanhamento da severidade da seca é feito por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), que reúne dados sobre falta de chuvas, umidade do solo e condições da vegetação. O indicador permite identificar áreas com maior possibilidade de impactos nas lavouras e orientar ações voltadas à agricultura familiar.
De acordo com o monitoramento, os efeitos da seca variam conforme o período em que o déficit hídrico ocorre durante o ciclo das culturas. Enquanto a seca fraca representa um alerta, os níveis moderado a excepcional podem causar prejuízos mais significativos, como atraso no calendário de plantio, redução do desenvolvimento das plantas e queda na produtividade.
Em Alagoas, os impactos já são observados principalmente nas lavouras de feijão. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a terceira safra do feijão cores foi prejudicada pela escassez e pela irregularidade das chuvas, fatores que reduziram a área plantada e comprometeram o desenvolvimento das lavouras.
O cenário também afetou o feijão-caupi de terceira safra. A deficiência hídrica dificultou o crescimento das plantas e reduziu o potencial produtivo da cultura no estado.
A avaliação do risco de seca na agricultura familiar considera principalmente cultivos de feijão e milho não irrigados, levando em conta a exposição ao déficit hídrico, as condições de vulnerabilidade e a capacidade de adaptação de cada município. O calendário agrícola elaborado pela Conab também é utilizado como referência.
Apesar dos impactos localizados provocados pela estiagem, a estimativa nacional para a safra de grãos 2025/26 aponta crescimento. A previsão inicial, divulgada em outubro de 2025, era de uma produção de 322,5 milhões de toneladas. Já a décima estimativa, divulgada em julho de 2026, indica uma produção de 360,1 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 11,7%.
