Agro
Sococo vai do pólen ao SAC, diz Emerson Tenório
A expressão explica o caminho completo da produção
A Sococo não é apenas uma indústria de leite de coco. Aos 60 anos, a empresa de origem alagoana construiu uma das operações mais verticalizadas do agronegócio brasileiro, com presença no campo, na indústria, no varejo e no atendimento ao consumidor.
Durante entrevista ao programa **Fala, Líder**, apresentado por Edivaldo Junior, na CBN Maceió, o diretor-presidente da Sococo, Emerson Tenório, resumiu essa estrutura em uma frase: “Do pólen ao SAC.”
A expressão explica o caminho completo da produção. A empresa faz o pólen, produz a semente híbrida, forma a muda, planta o coqueiro, cultiva, colhe, transporta, industrializa, leva o produto ao supermercado e ainda mantém o serviço de atendimento ao consumidor.
“Não conheço ninguém que faça isso”, afirmou Emerson.
Empresa mais comprida
Emerson costuma dizer que a Sococo talvez não seja a maior empresa do agronegócio brasileiro, mas é “a mais comprida”.
A definição tem razão de ser. A operação começa no Pará, onde a empresa mantém a base agrícola, em Moju, e unidades industriais na região de Belém. Parte do coco processado segue para Maceió, onde é reprocessado e transformado em uma linha ampla de produtos, incluindo leite de coco, coco ralado, doces e outros derivados.
De Alagoas, os produtos seguem para supermercados e pontos de venda em todo o país.
A Sococo também mantém estrutura comercial em São Paulo e unidade de negócios em Holambra. “Temos a agricultura no Pará, fábricas no Pará, processamento em Maceió, escritório comercial em São Paulo e distribuição para o Brasil inteiro”, disse.
Do coqueiral ao supermercado
A verticalização da Sococo nasceu de uma necessidade. O coco é uma cultura de ciclo longo, exige planejamento, escala, tecnologia e controle rigoroso da matéria-prima. Diferentemente de setores em que a indústria compra a produção de terceiros, a Sococo assumiu praticamente todas as etapas da cadeia.
Emerson explicou que a empresa começa antes mesmo do plantio. “Eu produzo o pólen para cruzar com a flor feminina do coqueiro para fazer a semente híbrida. Da semente híbrida eu faço a muda. Da muda eu planto, faço a árvore. Da árvore eu cultivo. Da árvore eu colho o coco. Do coco eu faço os produtos industriais”, afirmou.
Depois disso, o processo segue para a indústria, a distribuição nacional e o atendimento ao consumidor. É essa integração que permite à empresa controlar qualidade, produtividade, regularidade de fornecimento e padrão dos produtos.
Planejamento de 60 anos
O tempo do coco também ajuda a explicar a cultura empresarial da Sococo. Emerson lembrou que a cana-de-açúcar, setor em que iniciou sua vida profissional, tem ciclo mais curto. O coqueiro exige outra lógica.
Uma muda plantada hoje pode produzir por décadas. “Hoje nós estamos plantando mudas que serão colhidas nos próximos 60 anos”, afirmou.
Por isso, segundo ele, a empresa precisa tomar decisões olhando muito além da próxima safra ou do próximo ano. A escolha da variedade, o manejo, a produtividade, a colheita, o transporte e o processamento precisam ser pensados no longo prazo.
Essa visão, na avaliação de Emerson, foi decisiva para a consolidação da Sococo.
Por que o Pará
A decisão de levar a base agrícola para o Pará também nasceu de uma necessidade estratégica.
Segundo Emerson, ainda na fase dos fundadores portugueses, os irmãos Tavares enfrentaram dificuldades de abastecimento de matéria-prima no Nordeste em um período de seca forte.
A insegurança levou o grupo a buscar uma região com melhores condições para o cultivo do coqueiro. Para isso, foi contratado um instituto francês de pesquisa ligado a oleaginosas, que estudou áreas do Sul da Bahia até Manaus.
A região próxima a Belém foi escolhida pelas condições de clima, chuva, solo e disponibilidade de uma área contínua.
“Eles identificaram, nas proximidades de Belém, as condições agroclimáticas ideais”, disse Emerson.
A implantação, no entanto, não foi simples. A região era de difícil acesso, sem a infraestrutura atual. Emerson lembra que, no início, era preciso sair de Belém, pegar balsa e enfrentar estradas difíceis para chegar à fazenda. “Sabia a hora que saía, mas não sabia a hora que chegava”, contou.
Alta produtividade

Emerson Tenório. Reprodução Instagram
A aposta deu resultado. Emerson afirmou que a operação da Sococo no Pará alcança produtividade de cerca de 120 frutos por árvore ao ano no coco gigante híbrido voltado para a indústria.
Segundo ele, esse desempenho é superior à média nacional e também à produtividade observada em outras regiões produtoras. No Pará, a cultura não depende de irrigação, graças ao regime de chuvas da região.
A estrutura agrícola também permitiu à empresa desenvolver tecnologias próprias de plantio, colheita, transporte e processamento.
Na fazenda em Moju, a Sococo mantém uma operação de grande escala, com milhares de hectares em produção, laboratório, viveiro, mecanização, sistema de colheita e equipe própria.
Uma empresa de origem alagoana
Apesar da força da operação no Pará, Emerson fez questão de reafirmar a identidade alagoana da Sococo. A empresa nasceu em Alagoas, consolidou sua marca a partir de Maceió e mantém no Estado uma etapa estratégica da produção.
É em Maceió que parte importante da linha de produtos é processada e preparada para chegar ao mercado nacional. Ao final da entrevista, Emerson reforçou esse compromisso. “O nosso compromisso é que a Sococo continue cada vez mais sendo uma empresa alagoana”, afirmou.
Aos 60 anos, a Sococo chega a uma síntese rara no setor produtivo: nasceu em Alagoas, plantou raízes na Amazônia, manteve presença nacional e construiu uma cadeia que começa no pólen e só termina depois que o produto chega ao consumidor.
