Agro
El Niño pode levar Brasil a acionar termelétricas e ameaça safra de arroz
Governo estima um desembolso superior a R$ 1,3 bilhão em ações para mitigar os efeitos do fenômeno
O governo federal manifestou preocupação, nesta quarta-feira (29), sobre os impactos do El Niño, fenômeno climático que deve atingir o Brasil com maior intensidade a partir de setembro. Durante reunião ministerial, o Planalto sinalizou a possibilidade de acionar usinas termelétricas e se prepara para uma possível quebra das safras de arroz e milho.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, o governo estima um desembolso superior a R$ 1,3 bilhão em ações para mitigar os efeitos do El Niño, incluindo medidas emergenciais e logísticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade de planejamento diante dos piores cenários:
"Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave. O que é duro é quando acontece alguma coisa que ninguém está preparado."
A previsão é de que o fenômeno provoque secas no Norte do país e aumento das chuvas no Sul durante o inverno, cenário que pode prejudicar as safras de arroz e milho e reduzir o nível dos reservatórios das hidrelétricas da região Norte, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte.
"Com a escassez nos reservatórios, há uma queda na geração de energia hidrelétrica, tem que acionar as termelétricas. Portanto, a gente tem que garantir diesel para a termelétrica. No Norte nós temos um número pequeno de rodovias, uma parte importante da distribuição de combustível vai pelos rios. Se os rios também baixam, tem um ponto sensível que temos que monitorar", afirmou Miriam Belchior, ministra da Casa Civil.
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial registram elevação de pelo menos 0,5 ºC acima da média histórica. Quando a temperatura ultrapassa 1,5 ºC, o fenômeno é classificado como forte; acima de 2 ºC, é considerado extremo — condição esperada para este ano.

