Agro
Alta do trigo no exterior deve elevar custo das importações brasileiras
Queda da produção mundial e conflitos geopolíticos pressionam preços do cereal, enquanto Brasil prevê maior dependência do mercado externo
O Brasil deverá ampliar as importações de trigo em um cenário de alta nos preços internacionais do cereal. A combinação entre a redução da produção mundial e os conflitos geopolíticos tem pressionado as cotações e deve aumentar os custos de aquisição do produto no mercado externo.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do trigo seguem em alta, enquanto no mercado interno a tonelada do cereal é negociada em torno de R$ 1.400 na Região Sul, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o analista Vlamir Brandalizze, caso o cenário atual se mantenha, o custo das importações poderá alcançar R$ 1.800 por tonelada no próximo ano.
A expectativa é de que o Brasil importe entre 6,9 milhões e 8 milhões de toneladas de trigo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta compras externas de 6,9 milhões de toneladas, o maior volume registrado desde 2013.
Oferta reduzida
A produção mundial de trigo deve recuar de 844 milhões de toneladas, registradas na safra 2025/26, para 820 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.
Entre os principais exportadores, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Argentina e União Europeia devem registrar queda na produção. Já Rússia e Ucrânia enfrentam dificuldades para escoar a produção em razão dos conflitos na região do Mar Negro.
Nos Estados Unidos, a safra de primavera apresenta apenas 53% das lavouras classificadas entre boas e excelentes, enquanto a produção de inverno também registrou perda de qualidade.
Safra menor
No Brasil, os elevados custos de produção, os riscos climáticos e a menor rentabilidade reduziram o interesse dos produtores pelo cultivo do cereal, principalmente na Região Sul.
Segundo a Conab, a área plantada caiu 17%, para cerca de 2 milhões de hectares. Com isso, a produção nacional deve atingir 6 milhões de toneladas, volume 24% inferior ao da safra anterior.
Arroz e feijão
Enquanto o trigo registra valorização, outros grãos apresentam comportamentos distintos no mercado.
De acordo com o Cepea, o arroz acumula alta de 7% em julho, com a saca sendo comercializada, em média, por R$ 64. O avanço é sustentado pelo ritmo das exportações, que já somam 1,2 milhão de toneladas no ano.
Já o feijão apresenta queda de preços com a chegada da terceira safra irrigada. Segundo Vlamir Brandalizze, a saca do produto de melhor qualidade recuou de R$ 500 para R$ 330.

