Agro

Açúcar deve ganhar espaço na safra 2026/2027 com etanol pressionado

XP Investimentos projeta maior destinação da cana para produção de açúcar, enquanto El Niño é apontado como principal risco para a próxima safra

Por Redação 23/07/2026 08h08
Açúcar deve ganhar espaço na safra 2026/2027 com etanol pressionado
Clima favorável impulsiona expectativa de recuperação da safra, mas El Niño preocupa o setor - Foto: Reprodução

A safra 2026/2027 de cana-de-açúcar deve favorecer a produção de açúcar no Brasil, impulsionada por uma maior oferta de matéria-prima e pela menor atratividade do mercado de etanol. A avaliação é da XP Investimentos, que projeta aumento da moagem e da produção açucareira, mas alerta que um eventual fortalecimento do El Niño pode comprometer a qualidade da safra e dificultar a colheita.

Segundo a instituição, a moagem de cana no Centro-Sul deve alcançar 639 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% em relação ao ciclo anterior. A estimativa considera expansão de 1,5% da área plantada, para 8,3 milhões de hectares, e recuperação de 2,9% da produtividade, chegando a 77,3 toneladas por hectare, favorecida pelas condições climáticas registradas desde o último trimestre de 2025.

A XP destaca ainda que a queda dos preços do açúcar reduziu os incentivos para a renovação dos canaviais, preservando uma área maior em produção e contribuindo para a expectativa de uma safra mais robusta.

Maior rentabilidade

De acordo com os analistas, a decisão das usinas sobre o destino da cana dependerá mais da rentabilidade entre açúcar e etanol do que da disponibilidade da matéria-prima. Apesar da retração nas cotações do açúcar, o produto continua mais competitivo que o etanol, que enfrenta excesso de oferta e preços considerados pouco atrativos.

Com isso, a XP projeta um mix açucareiro de aproximadamente 47%, acima do registrado no início da safra, à medida que as usinas aumentam a destinação do ATR (Açúcar Total Recuperável) para a fabricação de açúcar.

A expectativa é de produção próxima de 40 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul. No Norte-Nordeste, a estimativa é de 3,4 milhões de toneladas, volume 7,3% superior ao da safra anterior.

Já a produção de etanol no Centro-Sul deve atingir 38,1 milhões de metros cúbicos, alta de 13,1% na comparação anual, sendo 28 milhões de m³ de etanol de cana e 10,1 milhões de m³ de etanol de milho. No Norte-Nordeste, a projeção é de 3,7 milhões de m³.

Mesmo com o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), a XP avalia que o crescimento da demanda será insuficiente para alterar significativamente o cenário de mercado, diante da expansão prevista da oferta.

Risco climático

Apesar das perspectivas positivas para a safra, o principal fator de atenção continua sendo o clima. Segundo a XP Investimentos, um eventual fortalecimento do El Niño pode dificultar a colheita, provocar atraso na moagem e aumentar o volume de cana que ficará para a safra seguinte, conhecida como cana bisada.

Além disso, o excesso de chuvas pode reduzir o ATR, indicador que mede a quantidade de açúcar extraível da cana, ao diminuir a concentração de sacarose e comprometer a eficiência industrial das usinas.

Mesmo diante desse cenário, a XP mantém uma avaliação positiva para os preços do açúcar negociados em Nova York, considerando que a oferta destinada às exportações permanece mais vulnerável a interrupções causadas pelas condições climáticas.