Agro
FAEAL defende inovação e segurança para fortalecer o agro
Em entrevista, Álvaro Almeida destacou inovação, preservação ambiental, segurança jurídica e medidas de apoio aos produtores rurais
A necessidade de ampliar a produção em áreas cada vez menores, conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental, foi um dos principais assuntos abordados pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (FAEAL), Álvaro Almeida, durante entrevista ao programa Fala Líder, nesta quarta-feira (15). A conversa foi conduzida pelo jornalista Edivaldo Júnior.
Ao longo da entrevista, o dirigente ressaltou que a agropecuária brasileira passou por uma transformação significativa nas últimas décadas e que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar uma condição essencial para garantir a continuidade da atividade rural.
Como exemplo, Almeida lembrou que práticas antes comuns no campo, como o desmatamento, foram substituídas por ações de recuperação ambiental.
"Nós aprendemos que estava errado. De 2008 para cá, já plantamos 42 mil árvores, recuperando nascentes. E a água volta. Eu mesmo não acreditava, mas ela volta. Não podemos viver, principalmente na pecuária, sem sombra, sem floresta e sem água", afirmou ao comentar sobre sua propriedade rural privada.
Segundo o presidente da FAEAL, o caminho para o futuro da agropecuária passa pela intensificação da produção com mais eficiência, elevando a produtividade e reduzindo custos, sem a necessidade de expandir as áreas cultivadas.
"Hoje, o melhor caminho é produzir mais, com melhor qualidade e no menor espaço possível. A atividade rural tem custos elevados e exige inovação constante para continuar sendo viável economicamente."
Almeida também observou que, apesar da impressão de que alguns segmentos vivem um momento positivo, tanto a pecuária quanto a cadeia sucroenergética enfrentam dificuldades econômicas e precisam buscar alternativas para manter a competitividade.
Alagoas reúne condições favoráveis
Durante a entrevista, Álvaro Almeida destacou que Alagoas possui vantagens logísticas em relação a outros estados brasileiros, favorecendo o desenvolvimento da agropecuária.
Como exemplo, citou a realidade de estados da Região Norte, onde dirigentes de federações precisam percorrer grandes distâncias, muitas vezes utilizando transporte fluvial ou aéreo para visitar sindicatos rurais.
"Em Alagoas conseguimos percorrer o estado em poucas horas. Em outras regiões do país, um presidente de federação pode levar quinze dias para visitar um sindicato rural. Isso mostra como nossa realidade é privilegiada."
O dirigente também ressaltou o potencial produtivo alagoano, especialmente diante da ampliação da oferta de água proporcionada pelo Canal do Sertão.
"Temos um território pequeno, mas extremamente produtivo. Com a chegada da água, muitas regiões poderão ampliar ainda mais sua capacidade de produção."
Segurança jurídica
Outro tema abordado foi a importância da segurança jurídica para garantir estabilidade e incentivar investimentos no meio rural.
Álvaro Almeida relembrou o período marcado por conflitos fundiários e invasões de propriedades em Alagoas, classificando aquela fase como uma das mais difíceis para os produtores. Segundo ele, o cenário atual oferece mais tranquilidade para agricultores e pecuaristas desenvolverem suas atividades.
"O produtor precisa ter segurança para investir, produzir e comercializar aquilo que produz. Hoje vivemos uma realidade muito diferente daquela marcada por invasões de propriedades e conflitos constantes."
Apoio aos produtores
O presidente da FAEAL também comentou iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor agropecuário. Entre elas, destacou a aprovação, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 52, relatado pelo senador Renan Calheiros, que prevê a renegociação das dívidas dos produtores rurais.
Na avaliação de Almeida, caso a proposta seja implementada com os recursos necessários, poderá representar uma solução definitiva para o endividamento do setor.
Outro ponto citado foi a medida provisória que estabelece uma subvenção federal de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar produzida. Segundo ele, o incentivo representa um alívio para os produtores alagoanos, embora não seja suficiente para solucionar todos os desafios enfrentados pela cadeia sucroenergética.
Diálogo institucional
Ao longo da conversa, Álvaro Almeida ressaltou que a atuação da FAEAL depende do diálogo permanente com diferentes esferas do poder público e lideranças políticas.
Segundo ele, mesmo diante de divergências ao longo dos anos, a entidade manteve uma relação institucional de respeito com governos estaduais e representantes da bancada federal, buscando soluções para fortalecer a agropecuária em Alagoas.
"O agro tem um papel estratégico para Alagoas. Somos responsáveis pela geração de empregos, renda e riqueza. É importante que o poder público compreenda essa relevância e mantenha um ambiente favorável para quem produz", concluiu.
Acompanhe a entrevista na íntegra
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*Com informações da CBN Maceió

