Agro

Eucalipto impulsiona renda e fortalece pecuária sustentável em Alagoas

Sistema silvipastoril avança no estado, aumenta a produtividade no campo, melhora o bem-estar animal e cria novas oportunidades de lucro para produtores rurais

Por Redação com assessoria 01/07/2026 16h04 - Atualizado em 01/07/2026 16h04
Eucalipto impulsiona renda e fortalece pecuária sustentável em Alagoas
Mercado do eucalipto impulsina agropecuária em Alagoas - Foto: Julio Vasconcelos/Sebrae

O cultivo de eucalipto vem se consolidando como uma alternativa rentável para produtores rurais de Alagoas. Integrado à pecuária por meio do sistema silvipastoril — que combina árvores, pastagens e criação de animais na mesma área — o modelo amplia a produtividade, melhora as condições para o rebanho e cria uma nova fonte de receita com a comercialização da madeira.

Na Fazenda Buenos Aires, localizada em Passo de Camaragibe, o produtor rural José Nogueira adotou o sistema em 2020. Cinco anos depois, o plantio deixou de ser uma experiência para se tornar parte da estratégia de diversificação da propriedade, permitindo a produção simultânea de carne e madeira.

O avanço da cultura acompanha uma expansão expressiva no estado. De acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), a área cultivada com eucalipto saltou de 2.525 hectares para 27.692 hectares na última década.

O crescimento reflete o potencial econômico da atividade, que vem ganhando espaço em regiões tradicionalmente dependentes da cana-de-açúcar. Além de abastecer diferentes segmentos industriais, o eucalipto também é utilizado na geração de energia renovável, na construção civil, na produção de móveis, celulose, biomassa e madeira para cercas.

Árvores melhoram pastagem e conforto do rebanho

Na prática, os benefícios do sistema começaram a aparecer antes mesmo da primeira colheita da madeira. Durante os meses mais quentes do ano, quando parte da vegetação perde vigor devido ao clima, as áreas com eucalipto mantiveram a pastagem verde graças ao sombreamento das árvores.

Segundo José Nogueira, além de proporcionar mais conforto térmico ao gado, o sistema favorece o desenvolvimento do capim.

"A pecuária continua sendo desenvolvida normalmente, mas com ganhos de produtividade. O sombreamento melhora o crescimento da pastagem e aumenta o teor de proteína do capim entre 10% e 12%, enquanto o eucalipto funciona como uma reserva financeira para o produtor", afirma.

As árvores da Fazenda Buenos Aires ainda não foram cortadas porque o plantio integra um projeto de acompanhamento técnico. A expectativa é realizar a colheita entre seis e oito anos após o plantio, período que permite agregar maior valor à madeira, especialmente para uso em serrarias e construção civil.

Dependendo do destino da produção, o ciclo pode variar. Para biomassa e geração de energia, o corte pode ocorrer a partir de cinco anos. Já para aplicações de maior valor comercial, o tempo de desenvolvimento costuma ser mais longo.

Clima favorece alta produtividade

As condições climáticas de Alagoas também contribuem para o desempenho da cultura. Enquanto a média nacional do Incremento Médio Anual (IMA) gira entre 40 e 42 metros cúbicos de madeira por hectare ao ano, a expectativa no estado é alcançar cerca de 50 metros cúbicos por hectare, podendo superar esse índice em algumas áreas.

Segundo José Nogueira, experimentos realizados na propriedade registraram resultados ainda mais expressivos.

"No primeiro ciclo houve clones que ultrapassaram 90 metros cúbicos por hectare. No segundo, algumas áreas chegaram a 140 metros cúbicos por hectare, mesmo com a integração entre árvores e pastagem", destaca.

O avanço do eucalipto em Alagoas é resultado de uma parceria entre Sebrae Alagoas, FIEA e Embrapa Tabuleiros Costeiros, que desde 2008 desenvolvem pesquisas para identificar clones mais adaptados ao clima e ao solo do estado.

Inicialmente foram avaliados 40 clones de diferentes regiões do país. Em seguida, o número de variedades analisadas chegou a 100, incluindo estudos específicos sobre o sistema silvipastoril.

Atualmente, Unidades de Referência Técnica acompanham o desempenho da cultura em propriedades localizadas em Passo de Camaragibe, Maceió e Pão de Açúcar.

Eucalipto funciona como investimento para o produtor

Além dos ganhos ambientais e produtivos, especialistas destacam que o cultivo representa uma reserva financeira de longo prazo.

Segundo Cristina Loureiro, analista de Competitividade Setorial do Sebrae Alagoas, árvores com mais de cinco anos passam a atender mercados de maior valor agregado, aumentando a rentabilidade da atividade.

"O produtor planta o eucalipto para oferecer sombra aos animais e, ao mesmo tempo, constrói uma espécie de poupança. Quando houver necessidade de investimento ou capital, poderá comercializar essa madeira", explica.

Desde 2018, o Sebrae promove capacitações voltadas à implantação correta do sistema silvipastoril. O acompanhamento técnico inclui desde a análise do solo e planejamento da área até o manejo após o plantio, garantindo melhores resultados para quem aposta na integração entre floresta e pecuária.

Especialistas ressaltam que o primeiro ano exige maior atenção, principalmente antes da introdução dos animais na área, etapa considerada essencial para o sucesso do sistema e para a sustentabilidade da produção rural.