Agro

Safra de milho cresce, mas rentabilidade do produtor diminui

Produção da segunda safra supera estimativa inicial, porém custos elevados, preços pressionados e clima reduzem a margem dos produtores

Por Redação 26/06/2026 08h08
Safra de milho cresce, mas rentabilidade do produtor diminui
Custos elevados e preços sem reação pressionam o resultado econômico da safra de milho - Foto: Aiba/Divulgação

A produção brasileira de milho na segunda safra, conhecida como safrinha, ficou acima da expectativa inicial, mas abaixo do volume registrado no ciclo anterior. Apesar do bom desempenho no campo, os produtores enfrentam redução na rentabilidade devido aos custos elevados de produção, preços estagnados e dificuldades no mercado.

A Agroconsult, responsável pelo Rally da Safra, revisou para cima a estimativa da safrinha de milho, passando de 112 milhões para 115,8 milhões de toneladas. No ciclo anterior, a produção havia alcançado 125,3 milhões de toneladas. Somadas às 28,4 milhões de toneladas da primeira safra, a produção nacional deve atingir 144,2 milhões de toneladas em 2025/26, abaixo das 152,3 milhões de toneladas registradas em 2024/25.

Segundo André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, o bom desempenho da produção não garante retorno financeiro ao produtor. Ele afirma que o mercado iniciou a temporada com estoques elevados, o que impediu a recuperação dos preços e reduziu as margens de lucro. No Paraná, por exemplo, a rentabilidade caiu cerca de 40% em comparação com a safra passada.

Além dos preços pressionados, os custos de produção aumentaram aproximadamente 6% em relação ao ano anterior, que já havia registrado alta. Juros elevados, cenário econômico desfavorável, menor produtividade em diversas regiões e os impactos dos conflitos geopolíticos também contribuíram para reduzir os ganhos dos agricultores.

A área destinada ao milho segunda safra permaneceu praticamente estável, em 18,2 milhões de hectares. No entanto, a produtividade média caiu 7,8%, alcançando 105,9 sacas por hectare. O desempenho variou entre os estados. Mato Grosso apresentou média de 130 sacas por hectare, enquanto Goiás registrou apenas 83 sacas por hectare.

O Rally da Safra identificou diferentes cenários nas regiões produtoras. Médio Norte e Oeste de Mato Grosso, Sul de Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná e Sul de São Paulo obtiveram os melhores resultados por realizarem o plantio dentro da janela considerada ideal. Já Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais sofreram maiores perdas após atrasos na semeadura e interrupção das chuvas durante abril e maio.

Mesmo com estabilidade da área cultivada no país, houve diferenças entre os estados. Mato Grosso ampliou em 2% a área plantada, Mato Grosso do Sul cresceu 5,2%, Paraná aumentou 4,2% e Rondônia expandiu 10,3%. Em contrapartida, Goiás reduziu 5,9%, Minas Gerais teve queda de 4,7% e a região do Matopiba diminuiu 9,1%.

As condições climáticas também favoreceram o sorgo, que deve registrar expansão de área e expectativa de produção recorde. Entre os aspectos positivos da safra de milho estão o bom desempenho das lavouras plantadas mais tardiamente e o maior número de espigas e grãos por planta.

Por outro lado, o avanço das lagartas preocupa os produtores. Em Goiás, 74% das lavouras avaliadas apresentaram infestação do inseto, percentual superior aos 34% observados na temporada passada. De acordo com Debastiani, o aumento pode estar relacionado à menor eficiência da biotecnologia utilizada, ao manejo adotado nas propriedades e às condições climáticas. Em contrapartida, a incidência da cigarrinha, que foi um dos principais problemas da cultura nos últimos anos, perdeu força nesta safra.

Outro fator considerado positivo para o setor é o crescimento do consumo interno, estimado em 105,5 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho. No mercado externo, entretanto, as exportações brasileiras enfrentam forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina, devendo alcançar cerca de 37 milhões de toneladas.

A colheita continua em andamento no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, os produtores seguem atentos ao risco de geadas sobre áreas que ainda estão na fase de enchimento dos grãos, embora a possibilidade de perdas expressivas seja considerada limitada neste estágio da safra.