Agro

Café, soja e açúcar enfrentam desafios de mercado e clima

Exportações de café recuam, soja brasileira enfrenta maior concorrência dos EUA na China e previsão de El Niño gera preocupação para açúcar e próximas safras

Por Redação 25/06/2026 08h08 - Atualizado em 25/06/2026 09h09
Café, soja e açúcar enfrentam desafios de mercado e clima
Café, soja e açúcar estão entre as commodities que enfrentam desafios de mercado e perspectivas de mudanças nos próximos ciclos - Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro acompanha um cenário de mudanças que afeta importantes cadeias produtivas do país. Café, soja e açúcar enfrentam desafios relacionados tanto ao mercado internacional quanto às condições climáticas, fatores que podem influenciar preços, exportações e produção nos próximos ciclos.

No setor cafeeiro, o volume exportado na safra 2025/26 registrou queda de 18% em comparação com o ciclo anterior, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na parcial da temporada, os embarques somaram 35,4 milhões de sacas de 60 quilos, abaixo das 43 milhões de sacas exportadas na safra passada.

Apesar da redução nos embarques, a receita permaneceu praticamente estável, alcançando US$ 13,7 bilhões. De acordo com o Cepea, os preços elevados do café ao longo da safra compensaram grande parte da queda no volume exportado. A menor produção e os estoques historicamente baixos contribuíram para a redução das vendas externas.

Com o avanço da colheita da safra 2026/27, as negociações ganharam ritmo a partir de maio. No entanto, especialistas destacam que o aumento das comercializações não resulta imediatamente em maiores exportações, já que o café recém-colhido ainda passa por processos de preparo e beneficiamento antes de ser embarcado. A expectativa é de que os envios ao exterior avancem gradualmente nos próximos meses.

Além das questões de mercado, o setor também monitora os efeitos climáticos. A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 colocou o clima novamente no centro das atenções. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, a safra brasileira de café 2026/27 não deve sofrer impactos diretos do fenômeno. Contudo, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e exigir atenção durante a fase de florada para os próximos ciclos.

Enquanto isso, produtores da América Central e da Ásia podem enfrentar impactos mais significativos. A expectativa de um evento climático mais intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027 aumenta os riscos para importantes regiões produtoras de café no mercado internacional.

No mercado da soja, o Brasil já sente os efeitos da retomada das compras chinesas nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA anunciou recentemente a venda de 132 mil toneladas de soja da safra 2026/27 para a China, além de outros contratos para destinos não revelados que, segundo analistas, também podem ter como destino o mercado chinês.

Especialistas avaliam que o movimento está ligado à estratégia da China de ampliar seu poder de negociação e pressionar os preços da soja brasileira. Atualmente, o grão brasileiro continua competitivo no mercado internacional, mas a maior participação americana pode influenciar a dinâmica de preços e os prêmios pagos nos portos brasileiros.

Mesmo diante da concorrência, as exportações brasileiras seguem fortes. A expectativa é que o país embarque cerca de 15 milhões de toneladas de soja em junho, sendo aproximadamente 10,7 milhões destinadas à China. Para julho, já há programação de exportação de cerca de 4 milhões de toneladas.

No setor sucroenergético, a preocupação também gira em torno do clima. Projeção preliminar do RaboResearch aponta déficit global de 1,1 milhão de toneladas de açúcar na safra 2026/27. Embora o cenário não indique mudanças imediatas nos preços, especialistas observam que ainda há espaço para revisões importantes nas perspectivas do mercado.

A principal fonte de incerteza é justamente a possibilidade de um El Niño mais intenso no segundo semestre. O fenômeno pode comprometer a produção em importantes países produtores da Ásia, especialmente Índia e Tailândia. Além disso, o relatório alerta que os custos elevados de diesel e fertilizantes podem reduzir investimentos em tratos culturais, afetando a produtividade das lavouras ao redor do mundo e trazendo reflexos para as safras de 2027.

Diante desse cenário, clima, comércio internacional e custos de produção permanecem como os principais fatores que deverão influenciar o comportamento das commodities agrícolas nos próximos meses, exigindo atenção constante de produtores, exportadores e investidores do setor.