Agro

Cepea aponta alta no frango, queda nos ovos e cautela nos citros

Levantamentos mostram produção recorde de carne de frango, recuo na produção de ovos e negociações lentas da safra 2026/27 de laranja para a indústria

Por Redação* 19/06/2026 11h11
Cepea aponta alta no frango, queda nos ovos e cautela nos citros
Produção recorde de frango, menor oferta de ovos e negociações cautelosas da laranja marcaram os levantamentos do Cepea - Foto: Agência Brasil

Levantamentos divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram cenários distintos para importantes cadeias do agronegócio brasileiro. Enquanto a avicultura de corte registra produção recorde e valorização da carne de frango, a produção de ovos apresentou leve retração no primeiro trimestre do ano. Já o setor citrícola iniciou as negociações da safra 2026/27 em ritmo lento, com a indústria priorizando frutas de melhor qualidade.

Na avicultura de postura, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Cepea, indicam que o Brasil produziu 995,5 milhões de dúzias de ovos para consumo entre janeiro e março de 2026. O volume representa queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado e recuo de 3,8% na comparação com o último trimestre de 2025.

Com a menor oferta interna, os preços avançaram. A caixa com 30 dúzias de ovos brancos tipo extra, comercializada em Bastos (SP), alcançou média de R$ 147,20 no trimestre, alta real de 8,7% em relação ao período anterior. Os ovos vermelhos registraram valorização ainda maior, de 11,5%, com média de R$ 167,04 por caixa.

No segmento de carne de frango, o cenário foi mais favorável. Segundo o Cepea, os preços vêm subindo desde o início de junho, inclusive durante a segunda quinzena do mês, período em que normalmente ocorre redução da demanda. A valorização é atribuída à retomada gradual do consumo e ao equilíbrio da oferta no mercado interno.

Os dados do IBGE mostram ainda que a produção brasileira de carne de frango atingiu recorde para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. Entre janeiro e março deste ano foram produzidas 3,734 milhões de toneladas, crescimento de 2,2% em relação ao último trimestre de 2025 e de 6,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Já no setor de citros, as negociações da safra 2026/27 seguem em ritmo gradual. O Cepea informa que as indústrias ainda priorizam o processamento de frutas próprias e, em alguns casos, de lotes adquiridos por meio de contratos renegociados.

O avanço das compras depende principalmente da qualidade e do rendimento industrial das frutas. Como grande parte dos pomares ainda não atingiu o ponto ideal de maturação, as processadoras concentram as aquisições em frutas de meia estação provenientes das regiões mais adiantadas do norte de São Paulo e do Triângulo Mineiro.

Apesar do aumento da oferta de variedades precoces, o Cepea observa que as indústrias continuam preferindo frutas de meia estação. Além disso, produtores relatam qualidade abaixo do esperado em pomares localizados fora do cinturão citrícola paulista e do Triângulo Mineiro, especialmente no Paraná, fator que pode limitar a valorização da fruta no início da temporada.

A expectativa dos pesquisadores é que, com a retomada gradual das atividades industriais, um número maior de unidades de processamento entre em operação ao longo de julho.

*Com informações da Cepea