Agro
Produção de carnes bate recorde, mas setor enfrenta desafios
Abates de bovinos, suínos e frangos crescem no início de 2026, enquanto China e União Europeia impõem novos obstáculos ao mercado
O Brasil iniciou 2026 com desempenho recorde na produção de proteínas animais, contrariando previsões de desaceleração feitas no início do ano. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram aumento nos abates de bovinos, suínos e frangos durante o primeiro trimestre, impulsionando a oferta de carnes no mercado.
Entre janeiro e março, a indústria disponibilizou 7,8 milhões de toneladas de carne equivalente carcaça, volume 7% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O maior avanço ocorreu na cadeia de suínos, seguida pelas produções de frango e de bovinos.
Segundo o IBGE, os frigoríficos receberam 10,3 milhões de bovinos nos três primeiros meses do ano, o maior número para o período desde o início da série histórica, em 1997. A suinocultura também registrou recorde, com 15,3 milhões de animais abatidos. No setor avícola, o volume de abates alcançou o segundo maior resultado da história para qualquer trimestre.
A produção de carne bovina chegou a 2,63 milhões de toneladas equivalente carcaça, crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A carne suína alcançou 1,43 milhão de toneladas, alta de 6,9%, enquanto a produção de frango somou 3,73 milhões de toneladas, também com aumento de 6,9%.
Além das carnes, o levantamento apontou recorde na produção de leite, que atingiu 6,8 bilhões de litros no primeiro trimestre, volume 2,6% superior ao registrado em igual período de 2025.
O avanço da produção foi sustentado principalmente pelo desempenho das exportações. De janeiro a maio, as vendas externas de carne bovina totalizaram 1,4 milhão de toneladas, crescimento de 15% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
No mesmo intervalo, as exportações de carne de frango chegaram a 2,45 milhões de toneladas, alta de 8,7%, enquanto as de carne suína alcançaram 1,43 milhão de toneladas, aumento de 5%, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Apesar dos resultados positivos, o setor observa um cenário mais desafiador para os próximos meses. A China, principal destino da carne bovina brasileira, encerrou a cota de importação de 1,1 milhão de toneladas que permitia a entrada do produto sem a cobrança de uma tarifa adicional de 55%. Com o esgotamento do limite, a carne brasileira passa a enfrentar taxação total de 67% no mercado chinês.
Outro ponto de preocupação é a decisão da União Europeia de suspender as importações de carne brasileira a partir de 3 de setembro. O governo federal tenta reverter a medida, mas especialistas avaliam que a retomada dependerá do atendimento das exigências sanitárias impostas pelo bloco europeu.
Nos cinco primeiros meses do ano, a China importou 632 mil toneladas de carne bovina do Brasil, volume 25% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Já os países da União Europeia receberam 43 mil toneladas, crescimento de 16%.
A restrição europeia também afeta a carne de frango, setor no qual o bloco representa um mercado relevante. Somente em maio, as exportações brasileiras para os países europeus somaram 40 mil toneladas, aumento de 62% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Após anos de forte expansão na produção e nas exportações de proteína animal, o Brasil passa a enfrentar um ambiente internacional mais complexo, marcado por barreiras comerciais e exigências sanitárias mais rigorosas em mercados estratégicos para o agronegócio nacional.


