Agro
Carne, café: Tarifa dos EUA poupa principais exportações brasileiras
Produtos ficam fora da proposta de taxação pelo governo Trump
Os principais produtos exportados pelo Brasil foram excluídos da nova tarifa proposta pelo governo dos Estados Unidos para países que, segundo autoridades americanas, não adotam medidas suficientes para combater o trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A medida prevê sobretaxas de até 12,5%, mas contempla uma série de exceções consideradas essenciais para a economia norte-americana.
Entre os itens que ficaram de fora da possível taxação estão carne bovina fresca e congelada, café, suco de laranja, frutas, chá e diversas especiarias amplamente comercializadas no mercado internacional. Apesar da isenção, o relatório elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) cita o Brasil entre os países investigados por supostas ocorrências de trabalho forçado na pecuária.
A lista de exceções também inclui minerais estratégicos utilizados por setores industriais e de defesa dos Estados Unidos. Entre eles estão as terras-raras, recurso do qual o Brasil detém uma das maiores reservas do planeta, além de cobre, níquel, cobalto, alumínio, urânio, carvão mineral, petróleo bruto e combustíveis refinados.
Produtos químicos industriais, fertilizantes, medicamentos e insumos farmacêuticos também foram preservados da nova cobrança. O mesmo ocorreu com componentes tecnológicos, como semicondutores, circuitos integrados, telas LCD e OLED, computadores e equipamentos eletrônicos utilizados pela indústria global.

No segmento aeronáutico, a proposta exclui motores, sistemas de navegação, bombas, ventiladores e diversas peças empregadas na fabricação e manutenção de aeronaves. A decisão beneficia diretamente uma das cadeias produtivas de maior valor agregado da pauta exportadora brasileira.
As exceções previstas na proposta não foram elaboradas exclusivamente para o Brasil. Elas abrangem os cerca de 60 países alcançados pela investigação conduzida pelo governo americano e têm como objetivo evitar impactos sobre cadeias de abastecimento consideradas estratégicas para os Estados Unidos.
A proposta ainda está em fase de discussão. O governo americano abriu consulta pública para receber contribuições até 6 de julho. As audiências da Seção 301 estão programadas para começar em 7 de julho, e o texto poderá passar por alterações antes de uma decisão final.


