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Carne, café: Tarifa dos EUA poupa principais exportações brasileiras

Produtos ficam fora da proposta de taxação pelo governo Trump

Por Redação 03/06/2026 15h03 - Atualizado em 03/06/2026 16h04
Carne, café: Tarifa dos EUA poupa principais exportações brasileiras
Principais produtos exportados pelo Brasil ficaram fora da nova tarifa proposta pelo governo de Donald Trump - Foto: Reprodução

Os principais produtos exportados pelo Brasil foram excluídos da nova tarifa proposta pelo governo dos Estados Unidos para países que, segundo autoridades americanas, não adotam medidas suficientes para combater o trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A medida prevê sobretaxas de até 12,5%, mas contempla uma série de exceções consideradas essenciais para a economia norte-americana.

Entre os itens que ficaram de fora da possível taxação estão carne bovina fresca e congelada, café, suco de laranja, frutas, chá e diversas especiarias amplamente comercializadas no mercado internacional. Apesar da isenção, o relatório elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) cita o Brasil entre os países investigados por supostas ocorrências de trabalho forçado na pecuária.

A lista de exceções também inclui minerais estratégicos utilizados por setores industriais e de defesa dos Estados Unidos. Entre eles estão as terras-raras, recurso do qual o Brasil detém uma das maiores reservas do planeta, além de cobre, níquel, cobalto, alumínio, urânio, carvão mineral, petróleo bruto e combustíveis refinados.

Produtos químicos industriais, fertilizantes, medicamentos e insumos farmacêuticos também foram preservados da nova cobrança. O mesmo ocorreu com componentes tecnológicos, como semicondutores, circuitos integrados, telas LCD e OLED, computadores e equipamentos eletrônicos utilizados pela indústria global.

No segmento aeronáutico, a proposta exclui motores, sistemas de navegação, bombas, ventiladores e diversas peças empregadas na fabricação e manutenção de aeronaves. A decisão beneficia diretamente uma das cadeias produtivas de maior valor agregado da pauta exportadora brasileira.

As exceções previstas na proposta não foram elaboradas exclusivamente para o Brasil. Elas abrangem os cerca de 60 países alcançados pela investigação conduzida pelo governo americano e têm como objetivo evitar impactos sobre cadeias de abastecimento consideradas estratégicas para os Estados Unidos.

A proposta ainda está em fase de discussão. O governo americano abriu consulta pública para receber contribuições até 6 de julho. As audiências da Seção 301 estão programadas para começar em 7 de julho, e o texto poderá passar por alterações antes de uma decisão final.