Agro
Açúcar recua com avanço da oferta e maior produção global
Mercado devolve parte dos ganhos da véspera diante do aumento da produção no Brasil e das exportações da Tailândia
Os preços do açúcar operaram em queda nesta terça-feira (2) nas principais bolsas internacionais, refletindo a expectativa de ampla oferta global da commodity. O movimento devolveu parte dos ganhos registrados na sessão anterior, quando o mercado reagiu às preocupações com possíveis impactos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato de açúcar bruto com vencimento em julho era negociado a 14,28 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, com recuo de 17 pontos. O contrato para outubro registrava queda de 16 pontos, cotado a 14,78 centavos por libra-peso.
Na Bolsa de Londres, os contratos de açúcar branco também apresentavam perdas. O vencimento de agosto era negociado a US$ 441,50 por tonelada, enquanto o contrato de outubro estava cotado a US$ 436,90 por tonelada.
Na segunda-feira (1º), o mercado havia encerrado em alta após o aumento das preocupações com a formação do El Niño e seus possíveis reflexos sobre a produção mundial. A redução da previsão de chuvas para a temporada de monções na Índia, um dos maiores produtores globais de açúcar, esteve entre os fatores que sustentaram a valorização das cotações.
Apesar da atenção voltada às condições climáticas, a oferta segue predominando na formação dos preços. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A moagem de cana-de-açúcar também apresentou crescimento expressivo. Até 1º de maio, o volume processado na região atingiu 60,46 milhões de toneladas, avanço de 74,58% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
Outro fator que contribui para a percepção de oferta confortável é o desempenho das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril deste ano, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas de açúcar, volume 29% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
Com esse cenário, o mercado continua dividido entre as preocupações com o clima nas próximas safras e os atuais indicadores de forte produção e exportação nos principais países produtores, fatores que seguem influenciando a trajetória dos preços internacionais do açúcar.


