Agro
Em crise, fornecedor de cana é ignorado em AL; em PE, vira prioridade
Enquanto em Pernambuco o governo do Estado, a Assembleia Legislativa e os fornecedores de cana negociam um pacote emergencial que pode chegar a R$ 72 milhões para socorrer pequenos produtores, em Alagoas o cenário é outro: representantes do setor afirmam que não conseguem sequer ser recebidos em audiência pelo governo ou pelo Legislativo.
A diferença de postura ocorre em meio a uma crise profunda. Em Pernambuco, a Associação dos Fornecedores de Cana (AFCP) estima perdas superiores a R$ 500 milhões para os produtores. Em Alagoas, segundo dados da Asplana, o prejuízo já ultrapassa os R$ 600 milhões, considerando a queda no preço do açúcar, do etanol, do ATR e também a redução na produção no campo.
Mesmo com impacto maior, o setor alagoano ainda não conseguiu avançar no diálogo institucional. Segundo o presidente da Asplana, Edgar Filho, houve tentativas de interlocução com a Secretaria de Agricultura e também pedidos formais de audiência com o governador — sem resposta até o momento.
“Fomos ao secretário, pedimos audiência com o governador e protocolamos solicitação no Palácio. Até agora não fomos recebidos. Enquanto isso, outros estados estão avançando com medidas concretas para ajudar o produtor”, afirmou.
O contraste chama atenção. Pernambuco, com menor peso relativo na produção canavieira, já articula ações práticas, incluindo a distribuição de fertilizantes para garantir a próxima safra. Em Alagoas, maior produtor do Norte e Nordeste e com mais de 6 mil fornecedores — a maioria pequenos —, o setor segue sem resposta diante do agravamento da crise.
Sem apoio, cresce a preocupação com a próxima safra. A avaliação no setor é que, sem medidas emergenciais, haverá perda de produtividade, redução de área plantada e impacto direto no emprego e na economia de dezenas de municípios.
A expectativa dos fornecedores é que o governo estadual abra espaço para o diálogo nos próximos dias e avalie a adoção de medidas semelhantes às de Pernambuco. Até lá, o cenário segue de pressão e incerteza — com um setor estratégico tentando, ao menos, ser ouvido.
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