Agro

Ondas de calor ameaçam produção global de alimentos, alerta relatório

De acordo com o estudo, a produtividade da maioria das culturas agrícolas começa a cair quando as temperaturas ultrapassam os 30 °C

Por Redação* 23/04/2026 10h10
Ondas de calor ameaçam produção global de alimentos, alerta relatório
Calor extremo reduz produtividade agrícola e preocupa especialistas - Foto: Reprodução

Ondas de calor extremo, cada vez mais frequentes e intensas, estão colocando em risco a produção global de alimentos, segundo relatório divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (WMO).

De acordo com o estudo, a produtividade da maioria das culturas agrícolas começa a cair quando as temperaturas ultrapassam os 30 °C. Nesse patamar, as células das plantas se enfraquecem, comprometendo a distribuição de energia e o desenvolvimento. Como exemplo, o relatório cita a seca registrada no Brasil na safra 2023/24, quando temperaturas até 7 °C acima da média resultaram em perdas de até 20% na produção.

O documento aponta ainda que, desde 2017, têm sido comuns temperaturas máximas superiores em mais de 5 °C à média histórica entre a primavera e o outono. No Brasil, o fenômeno é especialmente evidente nas regiões centrais, com estiagens prolongadas que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Pesquisadores alertam que o impacto do calor vai além da agricultura vegetal. Na pecuária, a exposição prolongada a temperaturas extremas pode elevar a mortalidade de bovinos a até 24% do rebanho. Já na produção leiteira, o calor intenso tem causado perdas globais estimadas em 1%, além de comprometer a qualidade do leite.

Estudos também mostram que o estresse térmico afeta outros animais, como suínos, prejudicando sua fisiologia e capacidade de alimentação. Para mitigar os efeitos, produtores precisam investir mais em controle ambiental, como ventilação constante, o que eleva os custos de produção.

Além dos impactos diretos na produção, o calor extremo também representa um risco crescente à saúde de trabalhadores rurais. Em algumas regiões do mundo, o número de dias por ano considerados perigosos para o trabalho no campo pode chegar a 250.

No Brasil, o cenário pode se agravar com a possível ocorrência do fenômeno El Niño na safra 2026/27. Projeções indicam alta probabilidade de formação do evento ao longo de 2026, o que tende a intensificar extremos climáticos: mais chuvas no Sul, períodos prolongados de seca no Norte e Nordeste e temperaturas elevadas na região central do país.

*Com informações da Valor Econômico