Agro
Porto Rico bate recorde de etanol e supera maior usina do Nordeste
A unidade processou 1.900.237 toneladas de cana
A Usina Porto Rico, em Campo Alegre, encerrou a safra de cana-de-açúcar 2025/2026 no sábado, 18 de abril, às 20h, como última unidade em operação em Alagoas. E fechou o ciclo com um resultado que chama atenção no setor: a maior produção de etanol do Nordeste.
A unidade processou 1.900.237 toneladas de cana, além de destinar cerca de 65 mil toneladas para outra usina, em função do calendário operacional. O volume ficou em linha - e levemente acima - da safra anterior (1,91 milhão de toneladas), mesmo com o início tardio da moagem, que só começou no fim de setembro.
O calendário da safra foi impactado por ajustes industriais. “Iniciamos a moagem no final de setembro, por conta de investimentos na indústria. Isso alongou a safra, mesmo com o envio de parte da cana para outra unidade”, explica o diretor da usina, Carlos Monteiro.
Ele destaca ainda que o ideal seria encerrar a moagem até março, período anterior à intensificação das chuvas na região.
O destaque da indústria nesta safra está no mix. A Porto Rico produziu cerca de 66 milhões de litros de etanol - um recorde na história da empresa - e se tornou a maior produtora do biocombustível em Alagoas e no Nordeste nesta safra, superando inclusive a Coruripe, maior usina da região, tradicional líder regional, que produziu cerca de 63,1 milhões de litros.
Diretor da usina, Carlos Monteiro explica a mudança de estratégia: “Viramos a chave para o etanol em função do mercado. Considerando o açúcar a 14 cents de dólar por libra-peso, o etanol hoje equivale a cerca de 17 cents. Com melhor remuneração, optamos por ampliar a produção.”
A unidade adotou um mix equilibrado, com 50% da cana destinada para açúcar e 50% para etanol. Apesar da seca prolongada entre setembro de 2025 e o início de 2026, a produtividade foi mantida. “Mesmo com as dificuldades climáticas, conseguimos produtividade média de 76 toneladas por hectare. Isso só foi possível graças aos investimentos em irrigação”, afirma Monteiro.
Irrigação e tecnologia
Outro destaque da unidade foi o avanço tecnológico no campo. Atualmente, cerca de 80% dos canaviais da Porto Rico contam com algum tipo de irrigação, incluindo pivôs e gotejamento.
O gerente agrícola, Luiz Eugênio, aponta que o investimento tem sido decisivo para manter a produtividade.
“Hoje priorizamos pivôs e gotejamento. No gotejamento, nossa média chega a 140 toneladas por hectare. Em áreas com vinhaça enriquecida, água residuária ou pivô, conseguimos produtividades de até 100 toneladas por hectare”, afirma.
Ele destaca também o uso de novas variedades: “Trabalhamos com diferentes materiais do tipo RB, buscando os mais responsivos para nossas condições. Temos alcançado resultados cada vez melhores”, pontua.

Carlos Monteiro, diretor da Usina Porto Rico. Edivaldo Júnior

Colheira de cana na Usina Porto Rico. Edivaldo Júnior

