Agro

O café vai ficar mais barato em 2026? Veja o que esperar este ano

Produção maior em 2026 pressiona inflação, porém preços seguem altos

Por Redação com g1 17/04/2026 15h03 - Atualizado em 17/04/2026 15h03
O café vai ficar mais barato em 2026? Veja o que esperar este ano
Clima adverso previsto para o segundo semestre preocupa - Foto: Reprodução

A expectativa de uma safra robusta de café no Brasil em 2026 pode trazer algum alívio para a inflação ao consumidor, mas especialistas alertam que os preços dificilmente retornarão aos patamares registrados há seis anos.

Em 2020, o quilo do café torrado e moído custava, em média, R$ 16,45. Hoje, esse valor gira em torno de R$ 63,69 no varejo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A disparada foi impulsionada por eventos climáticos extremos entre 2021 e 2024, como secas, geadas e ondas de calor, que reduziram a produção e elevaram os custos.

Apesar disso, sinais recentes indicam desaceleração. A inflação do café moído vem caindo gradualmente desde julho de 2025 e já acumula recuo de 3,6% neste ano, conforme o IPCA, índice oficial medido pelo IBGE.

No campo, os preços começaram a ceder no início do ano passado com a expectativa de aumento da oferta global. No entanto, tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos provocaram nova alta temporária, revertida apenas após a retirada das taxas.

Em entrevista ao g1, o especialista Gil Barabach, da Safras & Mercado, explicou que a continuidade da queda depende da recomposição da produção e dos estoques. “A promessa é de uma safra recorde, mas isso precisa se confirmar. Ainda é necessário avaliar o volume efetivo colhido”, afirma.

A colheita ocorre entre maio e julho, e a projeção do mercado aponta para até 75,6 milhões de sacas de 60 quilos. O número supera a estimativa oficial da Conab, que prevê 66,2 milhões de sacas — alta de 17% em relação ao ciclo anterior.

O aumento é atribuído à bienalidade positiva da cultura, expansão de áreas plantadas, avanços tecnológicos e condições climáticas mais favoráveis. Ainda assim, especialistas ressaltam que a redução de preços será gradual.

“A volta a níveis mais baixos depende não só da produção deste ano, mas também das próximas safras e da recuperação global dos estoques”, explica Barabach. Ele acrescenta que o cenário inflacionário também influencia: “Mesmo com estabilidade, os preços não devem voltar ao mesmo patamar de anos atrás”.

Outro fator de preocupação é o clima. O economista André Braz, do FGV Ibre, alerta para o impacto de eventos como o El Niño, cuja probabilidade de ocorrência no segundo semestre de 2026 é estimada em 80%, segundo o Cemaden.

“O café é uma cultura sensível e bianual. Fenômenos climáticos mais frequentes têm afetado a regularidade das safras”, diz Braz. “O El Niño altera o regime de chuvas e pode prejudicar o desenvolvimento dos grãos”.

Com o plantio concentrado no segundo semestre — período crítico para o desenvolvimento das lavouras — condições climáticas adversas podem limitar os efeitos positivos da safra atual.

Diante desse cenário, a expectativa é de algum alívio nos preços, mas sem quedas expressivas no curto prazo. “Não deve haver grandes reduções para o consumidor”, conclui Braz.