Agro
Brasil vira 3º maior exportador de gergelim à China em 2025
Em três meses, país embarca 159,8 mil toneladas e amplia presença no mercado chinês, que já lidera compras de soja e carnes
O Brasil alcançou, em apenas três meses de 2025, a terceira posição entre os maiores exportadores de gergelim para a China. A entrada do produto na pauta comercial com os chineses ocorreu neste ano e já resultou no envio de 159,8 mil toneladas, impulsionando a participação brasileira nesse mercado.
A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, sobretudo no agronegócio. O país asiático responde por cerca de 60% a 70% das compras de soja brasileira, além de liderar a importação de carne bovina e manter forte presença na aquisição de milho, carne de frango e suína, celulose, açúcar e algodão.
Agora, novos produtos passam a integrar essa relação comercial, como feijões e pulses. Até 2024, o Brasil não exportava gergelim para os chineses. Com a abertura do mercado em 2025, o avanço foi imediato, colocando o país entre os principais fornecedores.
Mesmo sendo os maiores produtores globais de gergelim, com cerca de 150 mil toneladas cultivadas em aproximadamente 280 mil hectares, os chineses também lideram o consumo mundial, com 1,3 milhão de toneladas utilizadas em 2024. Em 2025, as importações chegaram a 1,4 milhão de toneladas, com o Brasil respondendo por 11% desse volume. Nigéria (31%), Tanzânia (17%) e Paquistão (7%) aparecem como outros grandes fornecedores.
“Hoje mais de 43% do gergelim brasileiro tem como destino a China. Índia com 24%, Turquia 10% e Vietnã 7% também são importantes. Uma das maiores vantagens que temos é a capacidade de cumprir os contratos firmados e mantermos um fornecimento estável, mesmo diante de grandes oscilações do mercado ao longo do ciclo”, afirma Eduardo Balestreri, Gerente de Relações Internacionais da Arbaza.
O representante da CFNA, Zhang Jun, destaca a relevância cultural do gergelim na China e a complexidade da produção interna, baseada em pequenos agricultores.
“Somos os maiores produtores, importadores e consumidores de gergelim no mundo. A produção está concentrada em pequenos produtores familiares espalhados por algumas regiões do país, o que torna difícil a aferição correta dos dados de produção, que também está muito ligada ao milho, quando o preço do milho sobe ou o governo fornece algum tipo de incentivo, a área de gergelim recua”, comenta.
Ele também aponta mudanças na política comercial chinesa. “O Governo está buscando diversificar mais as origens de onde importamos o gergelim para termos mais opções no mercado. A partir de 1 de maio de 2026, uma lista de 53 países africanos vai passar a exportar gergelim para a China com tarifas 100% zeradas”, acrescenta Zhang.
Além do gergelim, outros grãos vêm ganhando espaço no mercado chinês. A importação de feijão-mungo-verde cresceu de 572 mil toneladas em 2023 para 680 mil em 2025. O consumo anual da variedade gira em torno de 1,2 milhão de toneladas, sendo utilizada em alimentos e produtos diversos.
Outras variedades, como feijão-de-corda, feijão-vermelho e feijão-roxo, também registram aumento de demanda, com destaque para fornecedores como Índia, Myanmar e Uzbequistão.
“Produzir proteína vegetal a partir de pulses não é coisa do futuro, é do presente. Sustentar o planeta com o aumento da população mundial só será possível com os pulses, que são a fonte de proteína que menos gasta recursos para cada quilo de proteína entregue. O Brasil precisa entender o que o mundo quer em termos de feijões, gergelim e outros grãos como chia, linhaça, pipoca e painço, porque o nosso feijão é 50% mais sustentável do que o de outros países, de acordo com dados da FAO”, avalia Marcelo Eduardo Luders, Presidente do Ibrafe.

