Agro

Do Brasil para o mundo: frutas exóticas ampliam mercado

Segmento cresce com diversificação, redes sociais e interesse internacional, abrindo novas oportunidades ao produtor

Por Redação 03/04/2026 14h02
Do Brasil para o mundo: frutas exóticas ampliam mercado
Diversidade de espécies impulsiona exportações e atrai compradores internacionais - Foto: Reprodução

A produção e comercialização de frutas exóticas avançam no Brasil e começam a ganhar espaço também no mercado internacional. Durante a Fruit Attraction 2026, produtores e distribuidores destacaram que, apesar de ainda representar um nicho dentro da fruticultura, o segmento apresenta crescimento consistente, impulsionado pela diversificação da oferta, maior divulgação ao consumidor e novas possibilidades de exportação.

De acordo com Airton Bueno, sócio-proprietário da Frutas Luma, o conceito de frutas exóticas está associado ao que foge do padrão tradicional de consumo. “A fruta exótica é o diferente, aquilo que não é muito comum, diferente das commodities”, explicou. Segundo ele, o portfólio da empresa reúne cerca de 300 tipos de frutas, com operação diária entre 60 e 80 variedades.

A diversidade é sustentada pela produção distribuída em diferentes regiões do país. O Brasil, segundo o empresário, possui condições de replicar cultivos originários de outras partes do mundo. “Aquilo que está sendo produzido lá fora, a gente consegue replicar aqui no Brasil também. Então a gente tem produtores espalhados pelo Brasil todo produzindo frutas exóticas”, afirmou.

Novos produtos impulsionam expansão


A feira tem servido como vitrine para produtos ainda pouco conhecidos do público. Um exemplo é o Achachairu, que vem ganhando espaço no país. Segundo o produtor rural Abel Basílio, a fruta foi introduzida no Brasil há cerca de 20 anos e apresentou boa adaptação.

“Nós trouxemos a fruta pro Brasil há cerca de 20 anos e desenvolvemos ela no Espírito Santo. Ela se adaptou muito bem lá”, afirmou. Atualmente, a principal praça de comercialização é São Paulo, com distribuição para outros estados, especialmente na região Sul.

O avanço no mercado externo já é realidade. “Nessa safra, 100% da nossa produção foi exportada para países da Europa, mas também Ásia e Canadá”, relatou o produtor. Segundo ele, acordos internacionais, como o entre Mercosul e União Europeia, tendem a ampliar ainda mais esse movimento.

Consumo cresce com influência digital


A expansão do consumo está diretamente ligada à maior visibilidade proporcionada pelas redes sociais. A exposição de novos produtos tem estimulado a curiosidade do consumidor e ampliado a demanda.

“Os produtos exóticos vêm numa crescente há muito tempo e, conforme foram aparecendo redes sociais, a gente consegue divulgar mais produtos. A cada ano que passa a gente vê que vai ganhando mais espaço”, afirmou Bueno.

Apesar disso, a comercialização ainda é majoritariamente voltada ao mercado interno. A participação em eventos como a Fruit Attraction, no entanto, tem contribuído para ampliar horizontes. “Hoje é toda para o mercado interno, mas com a feira a gente conseguiu abrir a mente para começar a se organizar para exportar, porque muita gente de fora quer esses produtos nos países deles”, disse.

A demanda internacional, segundo ele, se mostrou intensa durante o evento. “A gente terminava de atender um cliente e já tinha outro esperando. Ficam curiosos para conhecer essa diversidade de itens”, relatou.

Para produtores, a feira tem papel estratégico na conexão com compradores internacionais. “Para um produto tão diferente, essas feiras encurtam o caminho. Elas resumem anos de trabalho comercial em poucos dias, com contato direto com pessoas do mundo inteiro”, afirmou Basílio.

Sustentabilidade agrega valor


A adoção de práticas sustentáveis também fortalece o segmento, especialmente no uso de embalagens. Empresas têm investido em materiais renováveis para reduzir impactos ambientais.

“A gente utiliza bandejas de fonte renovável, feitas do bagaço da cana-de-açúcar, e sempre procura se inovar para ter menos impacto ambiental”, explicou Bueno.

Além da comercialização, há investimento em produção própria para garantir padronização e oferta contínua. A Frutas Luma mantém cultivo voltado ao nicho, com destaque para a pitaia.

Com diversificação produtiva, aumento da demanda e avanço do interesse internacional, o mercado de frutas exóticas se consolida como alternativa promissora dentro da fruticultura brasileira, ampliando valor agregado e oportunidades para produtores em diversas regiões.