Agro
Cadeia produtiva do camarão avança em Alagoas com apoio do Senar
Carciniculturatem avançado no Agreste, especialmente entre agricultores familiares
A carcinicultura, atividade voltada ao cultivo de camarão em cativeiro, vem se consolidando como uma das cadeias produtivas mais promissoras da aquicultura em Alagoas. Com base em manejo técnico, controle rigoroso de parâmetros ambientais e planejamento produtivo, a criação do camarão marinho Penaeus vannamei ,conhecido como camarão cinza , tem avançado no Agreste, especialmente entre agricultores familiares assistidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Em municípios como Coité do Nóia, Igaci, Limoeiro de Anadia e Arapiraca, a atividade ganha escala e organização desde 2017, impulsionada por assistência técnica contínua e pela adaptação dos produtores a um sistema produtivo que exige conhecimento, investimento e acompanhamento diário.
No período da Semana Santa, quando o consumo de pescado tradicionalmente aumenta, os resultados confirmam o potencial da cadeia. A produção foi praticamente escoada antes mesmo do feriado, com forte valorização do camarão no mercado local e regional, sendo enviada até para São Paulo.
Um dos exemplos desse avanço é o produtor Averaldo José Alves dos Santos. Após anos trabalhando fora do estado, ele retornou ao campo e iniciou a atividade em 2017. Hoje, com viveiros que somam cerca de 6 mil metros quadrados, alcança uma produção média de 6.400 quilos por ciclo, com até três ciclos anuais e seis despescas realizadas somente neste ano.
“Quando decidi voltar de São Paulo, sabia que precisava investir em uma atividade com mercado e apoio técnico. A carcinicultura exige planejamento e acompanhamento constante. Hoje trabalhamos com controle de água, oxigenação, manejo de ração e monitoramento diário do crescimento, o que garante um produto de qualidade e boa aceitação”, destaca.

A evolução produtiva também reflete diretamente na valorização do camarão. Após o Carnaval, o produto era comercializado com média de 11 gramas a R$ 24,50. No último ciclo, já atingiu 32 gramas, com preços de até R$ 44,00, impulsionados pela alta demanda da quaresma.
Segundo o supervisor de Assistência Técnica do do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Laemerson Ferreira, o crescimento da atividade está diretamente ligado à profissionalização dos produtores e à adoção de boas práticas.
“A carcinicultura é uma atividade técnica, que exige controle rigoroso de todo o sistema produtivo. A ração representa um dos principais custos da produção, além dos investimentos em energia para oxigenação da água, infraestrutura e equipamentos. O papel do Senar é orientar o produtor para melhorar a eficiência, reduzir perdas e aumentar a rentabilidade”, explica.
A assistência técnica oferecida pelo Senar-AL acompanha todas as etapas da produção, desde a implantação dos viveiros até a despesca. O trabalho inclui planejamento dos ciclos, controle da qualidade da água, densidade de estocagem e alimentação adequada.
Elevados índices
De acordo com o técnico de campo José Rodrigo Bezerra, o acompanhamento tem elevado os índices produtivos na região.
“O ciclo do camarão pode variar entre 90 e 120 dias, dependendo das condições de manejo e do objetivo de mercado. Nesse período, é fundamental manter níveis adequados de oxigênio, pH e temperatura da água, além de um manejo alimentar equilibrado. Com a assistência técnica, os produtores têm alcançado aumento de até 50% na produtividade”, afirma.
Outro ponto essencial da atividade é o manejo pós-ciclo, com etapas como despesca, limpeza e secagem dos viveiros, fundamentais para garantir a sanidade e a continuidade da produção.
Pioneiro na região, o produtor João Alves dos Santos, irmão de Averaldo, destaca o momento positivo vivido pela cadeia produtiva, especialmente durante a Semana Santa.
“A Semana Santa deste ano foi uma das melhores que já tivemos. A procura foi muito alta, o camarão teve boa valorização e conseguimos comercializar praticamente toda a produção antes mesmo do feriado. Isso mostra a força do mercado e a qualidade do produto que estamos entregando”, afirma.
Impacto social
Além dos resultados econômicos, a carcinicultura também tem impacto social relevante. O fortalecimento da atividade tem contribuído para o retorno de produtores ao campo, reduzindo o êxodo rural e garantindo novas oportunidades no local de origem.
“Com apoio técnico, organização produtiva e mercado em expansão, a carcinicultura se consolida como uma alternativa viável e estratégica para a agricultura familiar em Alagoas, mostrando que conhecimento, manejo adequado e gestão são fundamentais para o sucesso no campo”, disse Laemerson.


