Agro
Fazendas mais lucrativas ganham mais que o dobro da média no Brasil
Diferença chega a R$ 5.131 por hectare, segundo estudo com 5 mil propriedades rurais
Um estudo inédito baseado em dados de mais de 5 mil fazendas brasileiras revelou um contraste expressivo na rentabilidade da produção agrícola. Segundo o levantamento, propriedades mais eficientes alcançam lucro bruto de R$ 5.131 por hectare, enquanto a média nacional não ultrapassa R$ 2.448.
Os dados foram compilados pela empresa de tecnologia agrícola Aegro, com base em informações reais de sete safras consecutivas, entre 2018/19 e 2025/26. A análise será apresentada ao público no evento Aegro Day Online, marcado para o dia 31 de março.
O estudo mostra que, apesar do aumento expressivo dos custos de produção, parte dos produtores conseguiu ampliar significativamente a rentabilidade. No caso da soja, o custo operacional saltou de R$ 2.729 por hectare na safra 2018/19 para R$ 6.486 em 2022/23, alta de 138%. No mesmo período, o preço da saca subiu 96%, o que reduziu as margens para grande parte do setor.
Ainda assim, fazendas classificadas como de alto desempenho — chamadas de “Top Fazendas” — registraram lucratividade de 52,8% na safra 2024/25, quase o dobro da média nacional, que ficou em 27%. Em uma propriedade de 500 hectares, a diferença pode representar até R$ 1,34 milhão a mais em uma única safra.
A produtividade também foi determinante para o desempenho superior. As propriedades mais eficientes atingiram média de 76,6 sacas por hectare, contra 63,8 da média nacional, gerando um ganho adicional estimado em R$ 1.631 por hectare. Além disso, apresentaram custo operacional 12% menor, com R$ 4.590 por hectare, frente a R$ 5.233 das demais.
O levantamento também destaca a pressão crescente dos insumos ao longo dos últimos anos. Os fertilizantes foram o principal fator de aumento de custos, com alta de 156% entre as safras 2019/20 e 2022/23, chegando a representar quase metade do custo total.
Segundo a empresa, os dados indicam que o diferencial de rentabilidade está mais ligado à gestão do que a fatores externos. Decisões como escolha de culturas, momento de compra de insumos e controle de custos por área são apontadas como determinantes para o resultado financeiro.
“O que define quem lucra não é o clima ou o tamanho da propriedade, mas a forma como o produtor toma decisões ao longo da safra”, afirmou o CEO da empresa, Maurício Schneider.
Além de mapear o histórico de custos, o estudo também traz projeções para a safra 2025/26, com três cenários de margem: otimista (43,2%), realista (23,4%) e pessimista (4,5%).
O conteúdo completo será apresentado durante o Aegro Day Online, evento com duração de 1h30, que reunirá dados detalhados sobre custos, produtividade, relação de troca e ponto de equilíbrio da produção agrícola. A participação é aberta ao público mediante inscrição.
*Com informações da Aegro


