Agro

Clima de outono preocupa safra com calor e chuva irregular

Previsão do Inmet indica risco de estresse hídrico e impacto em lavouras de segunda safra em várias regiões

Por Redação 20/03/2026 09h09 - Atualizado em 20/03/2026 10h10
Clima de outono preocupa safra com calor e chuva irregular
Condições climáticas podem afetar lavouras de segunda safra em várias regiões do país - Foto: Reprodução

A previsão climática para o outono de 2026 aponta para chuvas irregulares e temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, cenário que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de segunda safra. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Nacional de Meteorologia, no Prognóstico Climático de Outono.

Na Região Norte, a tendência é de chuvas acima da média histórica na maior parte do território, o que deve favorecer culturas já implantadas, como o milho segunda safra, além de contribuir para a manutenção das pastagens e da vegetação natural. Em áreas específicas, como Amapá, centro-norte de Rondônia, centro-sul do Tocantins e partes do sul do Amazonas e do Pará, os volumes previstos ficam próximos da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente toda a região.

No Nordeste, a previsão indica condições menos favoráveis para chuvas em grande parte da região, com destaque para Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em contrapartida, Maranhão e norte do Piauí devem registrar volumes acima da média, influenciados pela atuação da Zona de Convergência Intertropical mais ao sul de sua posição habitual. As temperaturas também tendem a ficar acima da média, com variações mais amenas no extremo norte.

Na área do Matopiba — que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, sobretudo no oeste baiano, pode reduzir a umidade do solo devido ao aumento da evapotranspiração. Esse cenário tende a afetar o desenvolvimento de culturas como milho e algodão.

No Centro-Oeste, a previsão aponta chuvas próximas da média em grande parte de Goiás e Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul pode registrar volumes abaixo do esperado. O período marca a transição entre as estações chuvosa e seca, e as temperaturas elevadas, associadas à menor disponibilidade hídrica, podem prejudicar lavouras em fases reprodutivas.

No Sudeste, a tendência é de chuvas abaixo da média em todo o estado de São Paulo e em boa parte de Minas Gerais. Nas demais áreas, os volumes devem se manter próximos da normalidade, embora haja possibilidade de episódios de chuva mais intensa no leste da região, associados à passagem de frentes frias. As temperaturas devem seguir acima da média, com eventuais incursões de massas de ar frio em áreas de maior altitude.

A redução da disponibilidade hídrica, combinada ao calor, pode diminuir a umidade do solo e favorecer o estresse hídrico, comprometendo o potencial produtivo das lavouras, sobretudo em áreas com menor capacidade de retenção de água.

Na Região Sul, o prognóstico indica predominância de chuvas abaixo da média em todo o território, com maiores desvios no Paraná e em Santa Catarina. As temperaturas devem permanecer elevadas, com maior aquecimento também no Rio Grande do Sul. Esse quadro pode reduzir os níveis de água no solo, impactar o desenvolvimento da segunda safra e dificultar o estabelecimento inicial das culturas de inverno, além de atrasar operações de semeadura em algumas localidades.

O prognóstico também aponta a transição de condições de neutralidade para um aquecimento das águas do Pacífico equatorial, indicando possível evolução para um evento de El Niño ao longo do trimestre. Ainda assim, o Inmet destaca que outros fatores influenciam o clima no Brasil, o que exige monitoramento contínuo nas regiões produtoras.