Agro
América Latina lidera expansão global dos bioinsumos
Setor deve atingir US$ 25 bilhões até 2030, com Brasil como principal mercado regional
O mercado global de bioinsumos atravessa um período de forte expansão, com a América Latina se consolidando como principal vetor de crescimento, apesar de ainda enfrentar desafios estruturais de adoção. A análise foi apresentada durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, realizado nos dias 17 e 18 de março pela ANPII Bio.
Pela primeira vez aberto ao público, o evento reuniu representantes da indústria, especialistas e agentes da cadeia para discutir tendências, dados e projeções do setor, em um momento estratégico para o Brasil, diante dos avanços regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070).
Segundo dados apresentados pelo vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da DunhamTrimmer, Ignacio Moyano, o mercado global já movimenta mais de US$ 15 bilhões e deve alcançar cerca de US$ 25 bilhões até 2030, com crescimento médio anual próximo de 10%.
O biocontrole lidera esse avanço, representando 55% do mercado, seguido pelos bioestimulantes (28%) e biofertilizantes (17%). Entre as culturas, grãos e cereais concentram 31% do uso, refletindo a adoção crescente em sistemas agrícolas de larga escala.
A América Latina é apontada como principal motor desse crescimento, com destaque para o Brasil, que responde por cerca de 7% do mercado global e aproximadamente 50% do mercado regional.
“O Brasil é hoje o principal mercado de bioinsumos da América Latina e um dos mais dinâmicos do mundo”, afirmou Moyano.
Entre os fatores que explicam esse protagonismo estão a escala da produção agrícola, a adoção em culturas extensivas e um ambiente regulatório considerado favorável.
O avanço dos bioinsumos também está associado a mudanças estruturais na agricultura, como exigências regulatórias sobre resíduos, busca por eficiência no uso de nutrientes e integração dos biológicos ao manejo agronômico.
“O mercado de bioinsumos está crescendo a um ritmo muito mais acelerado do que o dos insumos químicos tradicionais”, destacou o executivo.
Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta entraves. A falta de informação e capacitação no campo é apontada como um dos principais desafios. Levantamento com 3,4 mil produtores indica que 57% consideram esse fator limitante para adoção.
“A adoção depende de informação, capacitação e resultados consistentes”, reforçou Moyano.
No campo tecnológico, ganham destaque soluções microbianas e biotecnológicas, voltadas à melhoria da nutrição das plantas, controle de pragas e aumento da resiliência climática.
Segundo o executivo, o principal desafio do setor não está na demanda, mas na capacidade das empresas de capturar valor. Isso envolve demonstrar resultados no campo, gerar confiança no produtor e ampliar o suporte técnico.
Com crescimento acelerado, protagonismo latino-americano e avanços tecnológicos, o mercado de bioinsumos avança em direção à maturidade, mas sua consolidação dependerá da transformação da inovação em valor percebido no campo.
*Com informações da ANPII Bio


