Agro
Etanol fortalece segurança energética do Brasil, diz Unica
Produção deve crescer 4 bilhões de litros na safra 2026/27, reforçando a oferta de combustível renovável no país
O atual cenário geopolítico e a volatilidade do petróleo têm levado analistas a comparar o momento com o choque do petróleo da década de 1970. A diferença, segundo Evandro Gussi, é que o Brasil hoje está mais preparado para enfrentar eventuais turbulências no abastecimento de combustíveis graças à produção de etanol.
Presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Gussi afirma que o país possui atualmente uma oferta excedente do biocombustível, capaz de funcionar como uma espécie de “seguro energético” diante das incertezas do mercado internacional de petróleo.
A próxima safra 2026/27, que começa em abril, deve reforçar esse cenário. A expectativa do setor é de que a produção de etanol aumente cerca de 4 bilhões de litros — alta de aproximadamente 10% em relação ao ciclo anterior — garantindo abastecimento confortável para a frota de veículos flex.
Para o dirigente, a conjuntura internacional lembra, em menor escala, o período do choque do petróleo que marcou os anos 1970 e impulsionou a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Na época, o programa abriu caminho para o desenvolvimento da indústria de etanol no país.
Nos últimos anos, outras iniciativas também fortaleceram o setor, como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro, além de investimentos em usinas de etanol de milho no Centro-Oeste, que devem produzir cerca de 12 bilhões de litros na próxima safra.
Projeções de consultorias privadas indicam que a produção de etanol no Centro-Sul pode atingir entre 37 bilhões e 38 bilhões de litros na safra 2026/27. Segundo Gussi, esse volume é suficiente para atender à mistura de 30% de etanol anidro na gasolina e garantir oferta de etanol hidratado para competir com o combustível fóssil.
“Ainda que o conflito internacional permaneça, não vemos risco de desabastecimento”, afirmou.
Apesar da produção robusta, o setor ainda enfrenta desafios para ampliar o consumo. De acordo com estimativas do mercado, mais da metade da frota flex brasileira nunca abasteceu com etanol. O maior nível de participação do biocombustível no mercado ocorreu em 2019, quando o etanol hidratado respondeu por 29,2% do consumo no chamado ciclo Otto, que engloba combustíveis para veículos leves.
Biometano ganha espaço
Além do etanol, o setor sucroenergético também tem investido em novas alternativas energéticas, como o biometano produzido a partir de resíduos da cana. Algumas usinas já substituíram mais de 1 milhão de litros de diesel por esse combustível em suas operações agrícolas.
Segundo Gussi, o biometano pode se tornar uma solução estratégica no futuro, reduzindo custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa. A expansão do combustível renovável também tende a ser estimulada por políticas como o RenovaBio e pela regulamentação da Lei do Combustível do Futuro, que prevê a criação de um mercado específico para o produto.
Para o dirigente, o desenvolvimento desse novo segmento tem avançado rapidamente. “O biometano está respondendo muito mais rápido do que o Proálcool respondeu na década de 1970”, afirmou.
*Com informações do Globo Rural


