Agro

Preço do feijão dispara no Brasil e já pressiona consumidor

Oferta restrita e atraso na colheita elevam o valor do feijão carioca; mercado inicia março com negociações mais lentas

Por Redação 12/03/2026 09h09
Preço do feijão dispara no Brasil e já pressiona consumidor
Cotações do feijão atingem níveis históricos e já começam a impactar o consumidor brasileiro - Foto: Ibrafe

A alta do preço do feijão já começa a chegar ao bolso do consumidor brasileiro. Impulsionadas pela oferta restrita e por atrasos na colheita em importantes regiões produtoras, as cotações do grão avançaram nas últimas semanas e levaram o mercado a operar em níveis historicamente elevados. O cenário é apontado em levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o indicador CNA/Cepea, a valorização do feijão ganhou força ao longo de fevereiro, com destaque para o feijão carioca. Os preços médios do grão alcançaram os maiores patamares da série histórica do indicador, iniciada em setembro de 2024. O avanço foi observado tanto para lotes de melhor qualidade, classificados com nota 9 ou superior, quanto para grãos entre 8,0 e 8,5.

A oferta limitada no mercado físico é apontada como um dos principais fatores para a valorização. A conclusão da colheita da primeira safra no Paraná, somada às chuvas em áreas do Cerrado brasileiro, reduziu a disponibilidade do produto em um momento de demanda ativa por reposição.

Entre as regiões monitoradas pelo indicador, o Leste Goiano registrou uma das maiores altas. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, os preços do feijão carioca avançaram 12,6%, movimento associado principalmente ao atraso na colheita provocado pelas chuvas.

Outras importantes praças produtoras também registraram valorização nas cotações, como o Noroeste de Minas Gerais, Curitiba (PR) e Itapeva (SP). Nessas regiões, a disponibilidade de grãos de melhor padrão segue restrita.

No caso do feijão preto tipo 1, o cenário também é de valorização, porém com intensidade menor. Segundo a CNA e o Cepea, o abastecimento relativamente mais confortável reduz a pressão compradora da indústria, embora os preços já tenham alcançado os níveis mais altos desde março de 2025.

Apesar das cotações firmes, o mercado começou março com negociações mais lentas. De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, os preços elevados reduziram a liquidez no mercado físico, levando compradores a adotarem postura mais cautelosa nas aquisições.

Segundo o especialista, o início do mês foi marcado por menor volume de negócios em importantes centros de comercialização. O movimento reflete a dificuldade de repassar os preços mais altos ao consumidor final, o que tem levado parte da indústria e do varejo a reduzir o ritmo de reposição.

Diante desse cenário, o mercado pode entrar em um período de ajuste. Enquanto a oferta restrita ainda sustenta as cotações, a reação do consumo deve ser determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Analistas apontam que o avanço da colheita da próxima safra e as condições climáticas nas regiões produtoras seguirão no radar do mercado, podendo influenciar diretamente a disponibilidade do produto e o ritmo das negociações no país.