Agro
Entressafra da cana reduz oferta e dá espaço ao etanol de milho
Vendas de etanol somam 1,33 bilhão de litros em janeiro, enquanto produção menor no Sudeste e avanço do milho refletem no Nordeste
A primeira quinzena de janeiro da safra 2025/2026 foi marcada por queda na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do País, principal região produtora, cenário que repercute diretamente no mercado nacional de etanol e açúcar, com reflexos também para estados produtores do Nordeste, como Alagoas.
No período, as unidades do Centro-Sul processaram 605,09 mil toneladas de cana. No acumulado da safra até 16 de janeiro, a moagem alcançou 601,04 milhões de toneladas, volume 2,22% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ciclo anterior, quando foram moídas 614,69 milhões de toneladas.
Ao longo da quinzena, 27 unidades produtoras estiveram em operação na região, sendo nove usinas com moagem de cana, dez empresas produtoras de etanol de milho e oito unidades flex. No mesmo período da safra passada, operavam 24 unidades. Ao final da quinzena, cinco plantas encerraram a moagem, reforçando o cenário típico de entressafra.
A qualidade da matéria-prima também apresentou retração. O índice acumulado de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) ficou em 138,36 kg por tonelada, queda de 2,19% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Produção de açúcar e etanol
A produção de açúcar nos primeiros quinze dias de janeiro somou 7,32 mil toneladas. No acumulado da safra até 16 de janeiro, o volume fabricado chegou a 40,24 milhões de toneladas, crescimento de 0,86% frente às 39,89 milhões de toneladas do ciclo passado.
Já a produção de etanol no Centro-Sul atingiu 427,42 milhões de litros na primeira quinzena de janeiro. No acumulado da safra, a fabricação totalizou 31,27 bilhões de litros, retração de 4,82%. Desse total, 19,30 bilhões de litros correspondem ao etanol hidratado, com queda de 7,78%, enquanto o etanol anidro alcançou 11,97 bilhões de litros, alta de 0,39%.
O avanço do etanol de milho segue como destaque. Na primeira metade de janeiro, 89,96% do etanol produzido no Centro-Sul teve o grão como matéria-prima, somando 384,49 milhões de litros, aumento de 8,50% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025. No acumulado do ciclo, a produção de etanol de milho chegou a 7,25 bilhões de litros, crescimento de 13,67%.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, a redução da moagem é compatível com o período do ano. “Estamos no período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul e o restabelecimento da produção por algumas unidades só deve acontecer de maneira mais significativa a partir da segunda metade de março, seguindo padrão histórico observado no País”, afirmou.
Vendas de etanol
As vendas totais de etanol pelas unidades do Centro-Sul somaram 1,33 bilhão de litros na primeira quinzena de janeiro. O etanol anidro respondeu por 567,37 milhões de litros, crescimento de 1,86%, enquanto o hidratado totalizou 759,18 milhões de litros, recuo de 9,76%.
No mercado interno, as vendas de etanol hidratado atingiram 751,71 milhões de litros, retração de 6,49%. Já o etanol anidro comercializado no País somou 567,25 milhões de litros, avanço de 3,31%.
No acumulado da safra até 16 de janeiro, a comercialização total de etanol no Centro-Sul chegou a 27,62 bilhões de litros, queda de 2,19%. O hidratado somou 17,11 bilhões de litros, com retração de 5,94%, enquanto o anidro alcançou 10,51 bilhões de litros, alta de 4,59%.
Especialistas do setor avaliam que esse movimento influencia o abastecimento nacional e os preços praticados em estados produtores e consumidores, como Alagoas, onde o desempenho do Centro-Sul impacta diretamente o mercado regional de combustíveis e o planejamento das usinas nordestinas.
Mercado de CBios
Dados da B3 até 4 de fevereiro apontam a emissão de 4,27 milhões de créditos de descarbonização (CBios) por produtores de biocombustíveis. Atualmente, o volume disponível para negociação soma 21,71 milhões de créditos.
Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o reconhecimento da constitucionalidade do RenovaBio e decisões recentes do Judiciário fortalecem o ambiente de negócios. Ele destaca que a previsibilidade regulatória é essencial para garantir investimentos contínuos no setor sucroenergético, que tem peso relevante na economia alagoana.
Conforme dados da ANP, 99% da meta global do RenovaBio para 2025 foi atingida, e 88,2% das metas individuais foram cumpridas. Cerca de 50% das 61 distribuidoras que apresentavam inadimplência em 2024 regularizaram totalmente suas obrigações até o fim de janeiro de 2026.
Segundo Rodrigues, o avanço contribui para a isonomia concorrencial, reforça a credibilidade regulatória e consolida o RenovaBio como uma política pública efetiva de descarbonização do setor de combustíveis, com impactos diretos também para os estados do Nordeste.


