Agro

Tecnologia regenerativa reduz em 70% custo de renovação de canaviais no Agreste

Em São Miguel dos Campos, agrônomo utiliza "bisturi canavieiro" para manter produtividade de plantações com nove anos, evitando o alto custo do replantio total

Por Danilo Silva* com Alagoas Rural 06/02/2026 14h02 - Atualizado em 06/02/2026 15h03
Tecnologia regenerativa reduz em 70% custo de renovação de canaviais no Agreste
Tecnologia regenerativa reduz em 70% custo de renovação de canaviais no Agreste - Foto: Reprodução/Alagoas Rural

Uma inovação tecnológica está mudando a forma como produtores de cana-de-açúcar em Alagoas lidam com canaviais antigos. Em São Miguel dos Campos, no Agreste alagoano, o agrônomo Edilson Maia vem obtendo resultados expressivos ao utilizar o protocolo de cana regenerativa, conseguindo manter a produtividade de áreas que tradicionalmente já teriam sido descartadas.

Enquanto o manejo comum no es tado recomenda a renovação do canavial após cinco ou sete cortes (anos), um processo que custa cerca de R$ 17 mil por hectare. A nova técnica permite recuperar áreas com nove anos de uso com uma economia superior a 70% no custo de renovação.

Em entrevista ao programa Alagoas Rural, o agrônomo explica que a ideia é não destruir o canavial que ainda esteja produtivo, possibilitando uma redução drástica nos custos elevados desse processo.

“A ideia é não destruir o que ainda é produtivo. Em vez de erradicar todo o canavial, gastando uma fortuna com preparo de solo e novas mudas, nós identificamos as falhas e regeneramos o estande de plantas. A gente recupera a biologia do solo e faz o plantio apenas onde é necessário” explicou Edilson.

O "Bisturi Canavieiro"


O segredo do sucesso na Fazenda Santo Antônio é um equipamento apelidado por Maia de "bisturi canavieiro". A ferramenta permite realizar o plantio de mergulhia apenas nos espaços vazios (falhas) do canavial, algo que antes era considerado inviável de forma manual com enxadas.

"É um equipamento de precisão que abre o sulco apenas na falha, deposita a muda e o fertilizante sem abalar a estrutura da cana que já está produzindo. Fazer isso na enxada, manualmente, era inviável economicamente e tecnicamente”, destacou o agrônomo.

Aumento na produtividade


Além da economia direta, o protocolo regenerativo promete um salto na colheita. Segundo as projeções de Edilson Maia, a produtividade pode subir de 35 toneladas para até 70 toneladas por hectare na safra 2026/2027, elevando de 35 para 50/60 toneladas após o primeiro tratamento.

Para o futuro, o alcance esperado é de 65 a 70 toneladas quando o estande de plantas estiver totalmente recuperado.

O agrônomo destaca que o ganho de produtividade obtido apenas com a melhora da soqueira remanescente já é suficiente para pagar todo o investimento da recuperação dos espaços vazios.

A técnica não apenas recupera o canavial, mas otimiza a aplicação de nutrientes diretamente onde a planta necessita, consolidando-se como uma alternativa sustentável e lucrativa para o setor sucroenergético alagoano.

*Estagiário sob supervisão