Agro

Brasil consolida carne bovina como ativo estratégico e registra recorde histórico de exportações

Com crescimento expressivo em volume e receita em 2025, setor atinge novo patamar e amplia protagonismo na balança comercial

Por Redação* 24/01/2026 17h05 - Atualizado em 24/01/2026 17h05
Brasil consolida carne bovina como ativo estratégico e registra recorde histórico de exportações
Setor bovino brasileiro amplia presença global e alcança novo patamar nas vendas externas em 2025 - Foto: BCCOM Comunicação

O Brasil encerrou o ano de 2025 com o melhor desempenho já registrado nas exportações de carne bovina, considerando produtos in natura, industrializados, miudezas comestíveis e demais subprodutos da cadeia produtiva. O resultado consolidou o setor como um dos principais ativos estratégicos da balança comercial brasileira, com embarques que totalizaram 3,853 milhões de toneladas, crescimento de 20,7% em relação a 2024. A receita alcançou US$ 18,365 bilhões, avanço próximo de 40%, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira dos Frigoríficos (ABRAFRIGO).

Para a ABRAFRIGO, o desempenho vai além de um recorde pontual e indica uma mudança estrutural do setor. A carne bovina brasileira deixou de ser vista apenas como uma commodity baseada em grandes volumes para mercados menos exigentes e passou a ocupar posição de destaque como geradora de divisas, atendendo a mercados sofisticados em um cenário global marcado por transformações no comércio internacional. Em 2025, o produto foi o segundo item mais relevante da pauta de exportações agropecuárias e o quarto da pauta geral do país, atrás apenas de petróleo, soja e minério de ferro.

O avanço do faturamento refletiu uma combinação pouco comum: crescimento consistente no volume exportado aliado à valorização dos preços médios ao longo do ano. A carne bovina in natura, responsável por cerca de 90% das exportações do setor, registrou alta de 42,3% na receita, alcançando US$ 16,59 bilhões, com embarques de 3,083 milhões de toneladas, aumento de 21,12% em comparação ao ano anterior.

Ao longo de 2025, o desempenho mensal foi marcado por sucessivos recordes, demonstrando demanda aquecida, competitividade e maior capacidade do Brasil de capturar valor em um mercado impactado por fatores geopolíticos e econômicos. No total, a carne bovina brasileira chegou a 177 destinos, reforçando a estratégia de diversificação comercial, ainda que a dependência de mercados-chave permaneça elevada.

A China manteve-se como principal destino, respondendo por 48,2% das exportações do setor, com US$ 8,845 bilhões em receitas, crescimento de 47,75% em relação a 2024. No segmento de carne bovina in natura, a participação chinesa foi ainda maior, superando 53% tanto em valor quanto em volume. Os dez principais mercados concentraram 83,8% das receitas totais.

Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição entre os destinos, com participação de 11,24% e receitas de US$ 2,064 bilhões, crescimento de 25,9%, mesmo diante de tarifas adicionais aplicadas entre agosto e outubro de 2025. A expectativa para 2026 é de manutenção do crescimento das vendas ao mercado norte-americano, impulsionadas pelo déficit de produção e pelos preços elevados da carne naquele país.

Na sequência aparecem União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita, mercados com diferentes perfis de consumo e exigências sanitárias. O desempenho junto ao bloco europeu foi um dos destaques do ano, com crescimento de 76,5% em valor, totalizando US$ 1,049 bilhão, e aumento de 57% em volume, alcançando 128 mil toneladas. As exportações de carne bovina in natura para a União Europeia avançaram 89%, com valores médios elevados por tonelada.

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre novas oportunidades de ampliação de mercado, embora regras de salvaguardas impostas pelo lado europeu possam limitar parte dos ganhos. Após dois anos de forte expansão, o setor entra agora em uma fase de consolidação.

Segundo a ABRAFRIGO, o avanço futuro deve ocorrer de forma gradual, com foco na abertura e no fortalecimento de mercados tecnicamente mais complexos, como Japão e Coreia do Sul, além da efetiva consolidação do Vietnã, que abriu seu mercado em 2025, mas ainda não concluiu a habilitação da maioria dos frigoríficos brasileiros. A ampliação do acesso a novos destinos será decisiva para sustentar o protagonismo da carne bovina brasileira em um cenário internacional que promete ser mais desafiador em 2026, marcado por disputas geopolíticas, tensões comerciais e medidas de salvaguarda que afetam diretamente o comércio global do produto.

*Com informações da Assessoria