Agro
Clima seco antecipa fim da safra e reduz moagem na Usina Santa Clotilde, em Rio Largo
Expectativa é que os trabalhos sejam encerrados no início de fevereiro; falta de chuvas provocou quebra de produtividade, especialmente entre os fornecedores de cana
A safra de cana-de-açúcar 2025/2026 na Usina Santa Clotilde, em Rio Largo, deve chegar ao fim de forma antecipada.
Em entrevista ao programa Alagoas Rural, o superintendente da unidade, Leonardo Costa, confirmou que a moagem deve ser encerrada já no início de fevereiro, reflexo direto do clima seco que atingiu o Litoral Norte e a Zona da Mata alagoana.
Quebra na produtividade
A previsão é de que sejam processadas cerca de 870 mil toneladas de cana nesta safra, um volume inferior às 901 mil toneladas registradas no ciclo anterior. Segundo a usina, a queda geral foi de aproximadamente 3% a 4%, mas o impacto foi sentido de forma desigual.
Enquanto a cana própria registrou um pequeno crescimento em relação ao ano passado, a cana de fornecedores sofreu uma redução drástica, chegando a 17% de quebra. Em algumas regiões mais críticas, como Murici e Capela, as perdas de fornecedores chegaram a quase metade da produção esperada.
“Ano passado, de 901 mil toneladas, eu acho que esse ano a gente fecha com 870 mil, por aí. Na cena, a quebra geral da usina foi de 3% a 4% na usina como um todo. Mas puxado pelo fornecedor, que teve 17% [de quebra]”, disse o superintendente.
O superintendente agrícola da usina destacou que a principal dificuldade reside nos pequenos e médios produtores que não possuem sistemas de irrigação e dependem exclusivamente das chuvas (cultivo de sequeiro). O risco agora se estende para a próxima safra, pois a falta de umidade em janeiro pode comprometer a rebrota da cana.
"É preciso pensar em algum movimento para ajudar os fornecedores. A situação é muito difícil e muitos não veem ajuda do governo", alertou o superintendente, ressaltando que a saúde financeira do fornecedor é vital para a usina, já que eles representam 50% da matéria-prima processada.
Investimento em Tecnologia
Para compensar as dificuldades no campo, a Usina Santa Clotilde tem investido na modernização da indústria. Melhorias em moendas e caldeiras permitem que a unidade processe atualmente entre 7.400 e 7.500 toneladas de cana por dia.
“A partir do ano passado nós temos um investimento grande em moenda, estamos melhorando caldeira, estamos melhorando os processos — Chegamos a moer 320 (toneladas) por hora, que dá sete e meia, oito mil toneladas por dia. Mas, o ideal aqui é em torno de 300, 310 (toneladas por hora), que dá 7.400 por dia, 7.500”, explicou o diretor financeiro, Daniel Bernard.
Se houvesse disponibilidade de 1,2 milhão de toneladas de cana, a safra seguiria até o final de março. Com a redução para 870 mil toneladas, o ciclo se torna mais curto, evidenciando a necessidade urgente de políticas que auxiliem o fornecedor a aumentar sua produtividade e acompanhar a evolução tecnológica da indústria.
Estagiário sob supervisão*


