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Mercado global do açúcar: cenário para 2026 após a volatilidade de 2025

Aumento da moagem no Brasil e avanço do etanol de milho devem gerar excedente exportável e manter pressão sobre os preços

Por Redação* 16/01/2026 11h11
Mercado global do açúcar: cenário para 2026 após a volatilidade de 2025
Aumento da moagem e oferta elevada mantêm cenário desafiador para o açúcar no próximo ano - Foto: Assessoria

O mercado global do açúcar atravessou 2025 sob forte instabilidade, impactado por fatores econômicos, geopolíticos e climáticos que influenciaram diretamente o desempenho da commodity nos principais polos produtores e consumidores. O período foi marcado por preços em queda, volatilidade elevada e revisão de expectativas ao longo do ano.

A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX apresentou um balanço dos principais acontecimentos de 2025 e as projeções para 2026, indicando que os desafios estruturais e o ambiente de oferta elevada devem continuar moldando o setor no próximo ciclo.

Informações detalhadas sobre o mercado de açúcar e outras commodities agrícolas, energéticas, metálicas e moedas emergentes serão divulgadas no dia 27 de janeiro, por meio do Relatório de Perspectivas para Commodities da StoneX, disponível gratuitamente para download.

O levantamento referente a 2025 aponta um quadro de oferta consistente, demanda mais fraca e um ambiente internacional instável, fatores que consolidaram a trajetória de queda das cotações do açúcar ao longo do ano. Questões climáticas, mudanças no padrão de consumo e desdobramentos geopolíticos seguem como pontos de atenção para 2026, exigindo estratégias mais cautelosas por parte dos agentes do mercado.

Desempenho do mercado em 2025


No mercado de preços, o açúcar bruto negociado em Nova Iorque encerrou 2025 em baixa pelo segundo ano consecutivo. O contrato março/26 foi cotado a US¢ 15,01/lb em 31 de dezembro, acumulando desvalorização anual de 22,1%, a maior desde 2017.

O movimento refletiu um cenário de sobreoferta, mesmo diante do déficit global observado no ciclo 2024/25, impulsionado por estoques elevados na Ásia e na África, além do volume recorde de exportações brasileiras registrado no ano anterior.

Importadores reduziram o ritmo de compras, enquanto o consumo em mercados estratégicos, como Índia e China, ficou abaixo do esperado. Esse comportamento levou a revisões nas projeções globais e reforçou o viés baixista das cotações.

Apesar de uma tentativa inicial de recuperação no começo do ano, o volume expressivo de entregas nos contratos de março e maio em Nova Iorque evidenciou a fragilidade da demanda física. Em março, as entregas superaram 34 mil lotes, equivalentes a 1,75 milhão de toneladas, aprofundando o sentimento negativo que se manteve ao longo do ano. Em novembro, o contrato NY#11 atingiu o patamar de US¢ 14/lb.

Na Ásia, as preocupações iniciais com a produção deram lugar a um cenário mais otimista, especialmente em função das chuvas registradas na Índia e no Sudeste Asiático, que favoreceram a safra 2025/26. A Índia, após perdas significativas no ciclo anterior, projetou produção acima de 30 milhões de toneladas e anunciou uma cota de exportação de 1,5 milhão de toneladas.

A China, por sua vez, ampliou as importações para até 4,8 milhões de toneladas, mas o aumento não foi suficiente para sustentar os preços internacionais diante da oferta abundante e do fortalecimento dos estoques regionais.

No Centro-Sul do Brasil, mesmo com instabilidades climáticas, a moagem permaneceu acima de 600 milhões de toneladas em 2025/26. As perdas de produtividade foram compensadas pela elevação do mix açucareiro, com produção estimada em cerca de 40,2 milhões de toneladas. A estratégia das usinas e os investimentos consolidados mantiveram o Brasil como principal exportador global, ampliando a pressão sobre os preços.

Ambiente global e volatilidade


A expectativa de superávit global de 3,7 milhões de toneladas em 2025/26, aliada às revisões negativas no consumo — especialmente nos Estados Unidos e na China — reforçou o cenário de pressão sobre as cotações. Fundos especulativos ampliaram posições vendidas, aproveitando fundamentos desfavoráveis e um contexto macroeconômico marcado por maior aversão ao risco.

A volatilidade também foi intensificada por tensões geopolíticas e incertezas econômicas. Conflitos regionais na Ásia, como o agravamento das tensões na Caxemira e confrontos entre Tailândia e Camboja, geraram preocupações pontuais sobre a oferta, ao mesmo tempo em que o avanço de políticas protecionistas e a fragmentação do comércio global ampliaram o ambiente de cautela no setor.

Perspectivas para 2026


Para 2026, o mercado brasileiro de açúcar deve seguir influenciado pela concorrência entre açúcar e etanol. No início do ciclo 2026/27, a expectativa é de maior direcionamento das usinas para o etanol, diante de preços mais atrativos. No entanto, o aumento da moagem de cana, estimada em 620 milhões de toneladas, e a expansão da produção de etanol de milho tendem a limitar ganhos mais expressivos do biocombustível.

Mesmo com possível redução do mix açucareiro, o maior volume de cana e de ATR deve assegurar um excedente exportável superior a 35 milhões de toneladas de açúcar.

No cenário internacional, o volume exportado pelo Brasil em 2025 contribuiu para a recomposição dos estoques e reduziu a demanda global no primeiro semestre de 2026. A expectativa é de leve recuperação das importações na segunda metade do ano, mas a oferta continuará acima das compras, mantendo a pressão baixista.

O ritmo das exportações brasileiras será determinante para o comportamento do mercado. Caso surjam sinais de déficit global para o ciclo 2026/27, as importações podem reagir e elevar novamente a volatilidade dos preços no mercado internacional.

*Com informações da Assessoria da StoneX