Agro
Robério assume Fetag e quer reconexão com base da agricultura familiar
Oliveira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas, será o novo presidente da entidade para o mandato 2026–2030.
A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura de Alagoas (Fetag-AL) inicia um novo ciclo político e sindical a partir do 7º Congresso Estadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares, que será realizado nesta quinta-feira (15/01) e sexta-feira (16/01), na sede social da entidade, no bairro de Mangabeiras em Maceió.
O evento vai marcar a eleição da nova diretoria da entidade, que deverá ser aclamada num processo de chapada única. Robério Oliveira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas, será o novo presidente da entidade para o mandato 2026–2030.
Depois de anos sob forte influência de lideranças do Agreste e da Zona da Mata, a Fetag passará a ser comandada por um representante do Sertão, região que concentra parte expressiva dos mais de 100 mil agricultores familiares de Alagoas e dos conflitos históricos por políticas públicas, crédito, regularização fundiária e acesso à água.
A nova diretoria também reflete um desenho equilibrado regionalmente. Além de Robério na presidência, a chapa é composta por Cicera Gomes, do sindicato de Senador Rui Palmeira, no Médio Sertão, como vice-presidente; Itamar Silva, de Craíbas, no Agreste, como secretário-geral; Givaldo Teles, de Lagoa da Canoa, também no Agreste, à frente da Secretaria de Administração e Finanças; Claudivânia Almeida, de Junqueiro, no Sul do estado, na Secretaria de Mulheres; e Lucineide Holanda, do sindicato de Chã Preta, nos Xucurus, na Secretaria de Juventude.
O desenho da nova direção responde a uma demanda dentro do movimento sindical rural: ampliar a participação dos territórios e encurtar a distância entre a Fetag e as bases. A entidade tem hoje 75 sindicatos ativos, sendo que 42 participam do Congresso, representados por 84 delegados eleitos nas bases, além de 10 delegados natos da atual direção, totalizando 94 votantes. Para uma federação que já teve, em outros momentos, uma capilaridade mais robusta, a eleição da nova diretoria deve ser marcada pela necessidade de reconquistar protagonismo.
“O grande desafio é a reaproximação das bases, para a reestruturação do movimento sindical e o fortalecimento da agricultura familiar”, afirmou Robério, ao reconhecer que, ao longo dos anos, parte dos agricultores buscou “outros caminhos de representação”, em um movimento que enfraqueceu sindicatos e federações em várias regiões do país.
A leitura política do futuro presidente é de que sem base organizada, não há capacidade real de pressão, nem de formulação de políticas públicas. Robério também sinalizou uma mudança no relacionamento institucional da Fetag.
A nova direção pretende ampliar o diálogo com parceiros da sociedade civil, governos e órgãos públicos, partindo do diagnóstico de que o sindicalismo rural, sozinho, não consegue enfrentar os desafios impostos pela crise climática, pela mudança no perfil da produção e pelas dificuldades de acesso ao crédito e aos mercados.
O 7º Congresso da Fetag ocorre em um momento de redefinição do sindicalismo rural no Brasil. A perda de receitas após o fim da contribuição sindical obrigatória, a fragmentação da representação dos agricultores e o avanço de entidades paralelas impuseram uma crise estrutural ao sistema confederativo. Nesse contexto, a eleição de Robério representa uma tentativa de reorganização a partir da base, com um discurso mais pragmático e menos formalista.
Ao final do Congresso, a mensagem que deve prevalece é que sem sindicatos fortes, a agricultura familiar perde voz, orçamento e prioridade na agenda pública. A nova diretoria vai assumir, agora, a tarefa de transformar esse diagnóstico em ação política concreta.


